Celebrado em 29 de outubro, o Dia Nacional do Livro marca uma data fundamental para a cultura brasileira. A escolha homenageia o dia da fundação da Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro, originada quando a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para a colônia, em 1810. Muito antes de chegar às prateleiras organizadas e aos dispositivos modernos, porém, o livro percorreu um longo caminho.

Na Antiguidade, os registros gráficos começaram em lâminas de papiro e evoluíram para o pergaminho, feito de pele animal. Na Idade Média, o papel deu novos contornos à escrita manual, até que, em 1455, Johannes Gutenberg revolucionou a humanidade ao criar a prensa mecânica. Sua primeira grande impressão foi a Bíblia em latim, produzida com 42 linhas por página. No Brasil, o marco inicial da imprensa ocorreu em 1810, com a publicação de "Marília de Dirceu", de Tomás Antônio Gonzaga.

Ao longo do tempo, a forma de consumir literatura continuou se transformando. No século XX, surgiram as bibliotecas estruturadas para conservação de acervos e, no século XXI, esses espaços se consolidaram para o acolhimento do leitor. Paralelamente, os livros digitais ganharam espaço pela praticidade de acesso via celulares, leitores digitais e computadores. Ainda assim, a experiência física segue viva no gosto de quem aprecia marcar páginas, fazer anotações e sentir o cheiro do papel.

Independentemente do formato, a leitura traz benefícios valiosos para a saúde mental. Além de relaxar, ela estimula a memória, desperta a imaginação, expande o vocabulário e aprimora a comunicação. Para quem se prepara para vestibulares e o Enem, o hábito é indispensável para construir repertório na redação.

Adquirir esse costume não exige pressa: vale evitar cobranças excessivas, buscar locais tranquilos, reservar de 15 a 20 minutos diários, trocar de obra caso a leitura não flua e aproveitar tempos mortos em filas ou transportes para abrir um livro.

A força transformadora dessa prática ganha vida em relatos reais. Em Campo Grande, o estudante Davi Lucas, de apenas 14 anos, transformou a paixão pelas palavras em seu primeiro romance.

Estudante e autor do livro, Davi Lucas Foto: arquivo pessoal

Apaixonado pela escrita desde a infância, quando criava histórias em quadrinhos à mão, ele deu vida ao suspense "A Segunda Mãe de Joseph" escrevendo dia após dia em um caderno escolar antigo. Entre os estudos e a rotina diária, o jovem revisou e reescreveu a obra sem desistir do sonho.

"Não foi planejado tudo de uma vez — fui construindo conforme ia escrevendo, sentindo o que cada personagem sentia", revela o jovem autor, que também desenhou a capa e um mapa do universo do livro. Com lançamento marcado para 30 de outubro na Amazon, em versões impressa e digital, a obra aborda suspense, mistério, coragem e laços de amor. "Acredito que essa mensagem vale a pena chegar ao coração das pessoas: que a verdade vence, que o amor protege e que nenhum de nós é pequeno demais pra fazer a diferença", conclui Davi, que já planeja os próximos passos na literatura.