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Intervenção aponta dívida de R$ 20 milhões e Consórcio Guaicurus alega desequilíbrio no contrato
Em reunião na Câmara, interventores relataram problemas de gestão, frota antiga e manutenção; empresa afirma que dificuldades financeiras são consequência do descumprimento de cláusulas contratuais pela Prefeitura
A intervenção no Consórcio Guaicurus apontou uma dívida de aproximadamente R$ 20 milhões de uma das empresas que integram o grupo com instituições financeiras e fornecedores, incluindo empresas de combustíveis. Após a apresentação dos dados na Câmara Municipal de Campo Grande nesta segunda-feira (6), o Consórcio afirmou que os problemas financeiros são consequência de um desequilíbrio econômico-financeiro no contrato de concessão.
Durante a reunião, os interventores apresentaram os primeiros levantamentos realizados desde o início da intervenção, que começou no dia 16 de junho. Além das dívidas, foram relatados problemas relacionados à gestão operacional, frota antiga e dificuldades na manutenção preventiva dos veículos.
Segundo o interventor-geral Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, o trabalho inicial teve como prioridade garantir a continuidade do serviço para passageiros, funcionários e fornecedores. Agora, a equipe passa para uma etapa de auditoria contratual, financeira e operacional.
“O sistema é muito antigo, isso gera problemas na operação, gera problemas de economicidade e problemas até de fluxo dentro da empresa”, afirmou.
O relatório técnico final da intervenção deve ser apresentado em até 180 dias, com conclusões, recomendações e informações que irão auxiliar a Prefeitura na decisão sobre o futuro da concessão. A definição dos próximos passos está prevista para janeiro de 2027.
Consórcio afirma que contrato está desequilibrado
Em posicionamento divulgado após a reunião, o Consórcio Guaicurus afirmou que o relatório apresentado pela intervenção confirma o que a empresa já vinha apontando: a existência de desequilíbrio econômico-financeiro no contrato.
A empresa declarou que, apesar das dificuldades, não houve sucateamento do sistema e que o serviço não esteve sob risco de paralisação. Segundo o Consórcio, a frota manteve as condições de segurança, com veículos vistoriados por empresas credenciadas pelo Inmetro e pelo Detran-MS.
O Consórcio afirmou que os atrasos com fornecedores, dívidas financeiras e dificuldades para manutenção preventiva da frota ocorreram devido ao não cumprimento de cláusulas contratuais pela Prefeitura, incluindo revisões econômicas previstas e obras de infraestrutura que não foram executadas.
A empresa também citou a queda no número de passageiros após a pandemia de Covid-19 e o crescimento de novos meios de transporte como fatores que impactaram a arrecadação do sistema. O Consórcio afirmou ainda que realizou aportes financeiros dos próprios acionistas para manter a operação e declarou estar à disposição para buscar uma solução para o transporte coletivo da Capital.
A intervenção continua em andamento e os dados levantados serão utilizados para definir os próximos encaminhamentos sobre o contrato.