Transtornos
Fedor de empresa invade casas na região norte mesmo com tudo fechado, dizem moradores
Famílias que vivem no entorno relatam transtornos e acionaram o Ministério Público em busca de providências
Moradores atribuem à Berpram Reciclagem e Preservação Ambiental o forte odor que, segundo eles, chega às casas de um condomínio na região do bairro Nova Lima, em Campo Grande. Os relatos apontam que o cheiro seria percebido mesmo com portas e janelas fechadas.
Uma apuração do JD1 Notícias reúne relatos de moradores sobre mau cheiro, ruídos, sirenes, movimentação de caminhões, fumaça e poeira nas proximidades da empresa, localizada na avenida Cônsul Assaf Trad, na região norte da Capital.
O caso já é acompanhado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), onde tramita um Inquérito Civil com o objetivo de apurar a regularidade jurídico-ambiental do empreendimento.
Segundo os moradores, os episódios de odor seriam atribuídos às atividades e à proximidade da empresa e estariam limitando o uso confortável das áreas externas das residências e das áreas comuns do condomínio.
Nos momentos de maior intensidade, conforme os relatos, a permanência nesses locais se tornaria muito difícil, inclusive para passagem. Os moradores afirmam ainda que os ruídos e odores permaneceriam perceptíveis no interior das residências mesmo com portas e janelas fechadas.
Causa Animal
Outro ponto que chegou ao JD1 Notícias envolve o resgate de uma gata na região. Segundo moradores, o animal teria sido encontrado machucado e provavelmente seria de alguém do condomínio.
Conforme o relato, a gata teria sido levada para uma residência e, um ou dois dias depois, encaminhada ao veterinário. Ainda segundo os moradores, o animal teria sido submetido à eutanásia após ser diagnosticado com esporotricose, doença grave e transmissível aos seres humanos.
Os moradores afirmam que a doença poderia estar relacionada ao contato com solo contaminado e lixo. A partir disso, levantam a hipótese de que a gata, por circular solta pela região, poderia ter sido contaminada nas proximidades.
Reclamações vêm desde 2024
Segundo moradores de condomínios no entorno da empresa, a situação não teria começado agora. Eles afirmam que, desde a chegada ao condomínio, ainda em 2024, convivem com reclamações relacionadas principalmente ao mau cheiro, aos ruídos da operação, sirenes e à movimentação de caminhões.
Agora, os moradores estão levando as demandas diretamente ao Ministério Público. Segundo eles, os problemas não teriam sido efetivamente solucionados e continuariam ocorrendo ruídos, sirenes, movimentação e buzinas de caminhões, inclusive em horários que consideram inadequados.
Além disso, os moradores relatam a continuidade de episódios de odor, fumaça e outros impactos que, segundo eles, seriam percebidos no entorno. Os moradores também afirmam ter pedido expressamente o prosseguimento das investigações e a adoção das providências legais cabíveis.
Condomínio também tomou medidas
A administração do condomínio também teria tomado medidas diante das reclamações. Segundo os moradores, o condomínio não estaria parado nem ignorando a situação.
Conforme informado, existe um procedimento formal no Ministério Público e acompanhamento jurídico. Os moradores ressaltam ainda que a atuação do condomínio não impede que cada proprietário procure individualmente seus direitos.
Quem se sentir diretamente prejudicado poderá reunir provas, como vídeos, fotografias, registros de datas e horários, testemunhas, protocolos, boletins de ocorrência, laudos ou outros documentos, e procurar orientação jurídica para avaliar eventual ação individual contra a empresa.
Empresa manifesta disposição para promover melhorias
Dentro do Inquérito Civil, a empresa manifestou disposição em promover melhorias complementares, incluindo novas avaliações acústicas, aperfeiçoamento da cortina arbórea, otimização do gerenciamento e adequações na área de lavagem de contêineres, caminhões e caçambas.
Segundo consta no procedimento, as medidas teriam como objetivo proporcionar maior eficiência ambiental e conformidade com a legislação aplicável. Ainda conforme o documento, a empresa demonstra interesse e comprometimento na adoção das adequações técnicas pertinentes, buscando compatibilizar suas atividades operacionais com o atendimento das exigências ambientais e a mitigação dos potenciais impactos à vizinhança e ao meio ambiente.
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