Rescaldo
Prefeitura atua no rescaldo de temporal após chuvas intensas e queda de granizo
Capital registrou volume de chuva superior a todo o mês de outubro do ano passado
Equipes da Prefeitura de Campo Grande mantêm mobilização contínua desde a tarde desta quinta-feira (15) para atender às ocorrências provocadas por um severo temporal que atingiu a cidade com rajadas de vento e queda de granizo. As ações concentram-se no trabalho de rescaldo, incluindo a desobstrução de vias, manutenção do sistema de drenagem urbana e acolhimento de famílias afetadas.
Dados do Centro de Cemtec-MS (Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul) indicam que, em 24 horas, a Capital acumulou 86,8 milímetros de chuva — volume praticamente equivalente ao registrado durante todo o mês de outubro do ano passado. Meteorologistas apontam que a tempestade reflete a influência do fenômeno El Niño, previsto para atuar com forte intensidade entre a primavera de 2026 e o verão de 2027.
Acumulados por região e volume pluviométrico
Registros do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), atualizados até as 13h10 desta sexta-feira (16), mostram variação significativa no volume acumulado entre os bairros. A região do Córrego Anhanduizinho registrou o maior acumulado nas últimas 96 horas, alcançando 117,8 milímetros — dos quais 77 milímetros caíram no intervalo de 24 horas.
No Jardim Panamá, o acumulado em 96 horas atingiu 108,8 milímetros (76,2 milímetros nas últimas 24 horas). Já na área da UPA Aparecida Gonçalves Saraiva, no Coronel Antonino, a medição assinalou 93,4 milímetros em 96 horas, sendo 63,6 milímetros acumulados nas últimas 24 horas. A concentração das precipitações em pontos específicos explica a variação dos alagamentos pela cidade.
Levantamento da administração municipal aponta que apenas no decorrer da quinta-feira caíram 82 milímetros de chuva. Com isso, nos primeiros 15 dias de outubro, o acumulado superou em 135,91% o total registrado em todo o mês de outubro de 2025.
Atendimentos e ações de infraestrutura
Ao longo do período crítico, a Defesa Civil recebeu 60 chamados pelo telefone 199, todos relacionados a pontos de alagamento. Desse total, 26 ocorrências ficaram sob gestão direta do próprio órgão, enquanto as demais foram encaminhadas para secretarias correlatas. As ações de monitoramento contaram com o suporte da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) e da GCM (Guarda Civil Metropolitana).
Nesta sexta-feira, os trabalhos de campo envolvem a remoção de terra, limpeza de grades e rebojos e desobstrução de bocas de lobo. A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), em conjunto com a Solurb, atua em vias como a Avenida Ernesto Geisel (entre as ruas Ovídio Serra e Jequitibá), Via Park, Avenida Guaicurus, Avenida Thirson de Almeida (próximo à Rua Raquel de Queiroz) e Avenida Fernando Corrêa da Costa (entre as ruas Joaquim Murtinho e Bahia).
Na área social, a Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha) colocou três equipes nas ruas para vistoriar imóveis e entregar materiais de primeira necessidade, como lonas e colchões. A SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) intensificou a abordagem nas sete regiões da Capital, oferecendo cobertores à população em situação de rua e avaliando a concessão de benefícios emergenciais aos atingidos.
O balanço final de danos e atendimentos segue em fase de consolidação pelos órgãos municipais. A Prefeitura recomenda que os cidadãos evitem atravessar vias alagadas, a pé ou de carro, e não se aproximem de fios partidos ou estruturas abaladas. Chamados de emergência podem ser feitos pelos telefones 156 (GCM), 193 (Corpo de Bombeiros) e 199 (Defesa Civil).