Enquanto ainda se discute sobre a aplicação das algemas, a exposição e humilhação do apenado, a reintegração dos mesmos na sociedade e Enem para encarcerados; a população de Campo Grande esta semana viveu momentos de medo,tensão,terror e tristeza. O primeiro caso registrado foi um Palio, em frente a Igreja São José, na Rua Pedro Celestino. Na mesma via, entre a Avenida Afonso Pena e a Rua 15 de Novembro, uma Blazer e um Eco Sport também foram queimados. O quarto foi um Uno branco, na Avenida Afonso Pena, perto da Rua José Antônio. E o último veículo foi um Aircross Citröen, que estava estacionado na rua 7 de Setembro. Outro grupo roubou três veículos e estupraram duas mulheres em um intervalo de 14 horas no início da semana,também em Campo Grande. Esses números e essas notícias devem sensibilizar a todos. Não podemos mais continuar assim. Sem um projeto de ação para essa grande massa carcerária que não sabe o que fazer quando sai dos presídios a não ser o de por em prática o que aprendeu lá dentro,além de ter acesso a celulares com carregadores, internet e visitas íntimas.  É um salve geral que deve ser um sinal vermelho para os dirigentes e políticos mandatários de nosso país.Já evoluímos muito na respeitabilidade do nosso país para investimentos; nos esportes, mas falta algo singular que é a segurança pública.

E por falar em salve geral, “Salve”, na gíria de criminosos paulistas, significa “recado”, Esse é um bom momento para se iniciar reflexões sobre o  indulto de natal,que permite a concessão do benefício a presos condenados a até oito anos de detenção que não tenham cometido crimes hediondos (como seqüestro, terrorismo e tráfico de drogas) e tenham cumprido um terço da pena.   Lembra algo que pretendemos esquecer: O Dia das Mães de 2006, quando  a cidade de São Paulo esteve praticamente sitiada. Ataques a delegacias de polícia, ônibus incendiados, ameaças a shoppings, metrô e aeroportos. Quem lidera a ação é  uma poderosa organização criminosa. No bojo desse caos está a viúva Lucia, uma professora de piano, de classe média, que passa por dificuldades financeiras e tem uma missão: dar a liberdade ao filho Rafael, que está preso por ter se envolvido num incidente que terminou em fenecimento de uma vida.Nas visitas ao filho na penitenciária, Lúcia conhece Ruiva, advogada do Professor, líder do comando. A empatia entre as duas é imediata e Ruiva começa a usar Lúcia em missões ligadas “empresa”. Lúcia precisa de dinheiro e por isso vai aceitando chegar a tênue linha entre a legalidade e a criminalidade.

Concomitantemente, a crise entre prisioneiros e o sistema carcerário se agrava e, numa demonstração de força, o governo transfere de uma só vez centenas de presos de alta periculosidade para presídios de segurança máxima do interior de São Paulo. A reação é imediata e tremenda. O Comando envia seu código: Salve Geral. É uma interessante discussão para quem acha que a criminalidade não está chegando a sua porta. Eu vejo o contrário...E que Deus nos acuda!

*Articulista e Consultor Educacional do Jornal de Domingo desde fevereiro de 1992.