Comportamento
Dia do Rim: Doação é salvação para quem sofre de doença renal, relatam transplantadas
“Na hora que chegou o rim eu já não estava aguentando mais”, disse a costureira Luciene de 54 anos
Mais do que uma data de conscientização, hoje (10) se comemora o 'Dia do Rim', e não podemos falar desse assunto sem falar de doação e transplante, salvação para aqueles que, por algum motivo, tem um dos órgãos comprometido.
A Doença Renal já é reconhecida como um problema global de saúde pública. Os principais grupos de riscos para o desenvolvimento da doença são: hipertensos, diabéticos, obesos e aqueles que têm histórico familiar de Doença Renal ou Cardiovascular.
Para quem já passou por hemodiálise conta sobre dias difíceis e felicidade ao saber que receberia o órgão, como no caso da costureira Luciene Costa da Cunha, 54 anos, que começou o tratamento de hemodiálise há cerca de 8 anos. “Não é fácil para quem fica numa máquina de hemodiálise, fiquei um ano e meio na máquina e não suportei mais e tive que fazer diálise peritonial em casa”, ela conta que nesse caso, o SUS oferece os equipamentos e profissionais.
O problema começou devido a pressão alta e hipertensão. “No começo não sentia dor, mas depois a gente vai ficando fraca, pois toma vários medicamentos. Eu tive uma anemia muito grande, e fraqueza. Tem gente que faz até 15, 20 anos de hemodiálise”, conta.
Depois de 4 anos de tratamento, em abril de 2018, Luciene recebeu a notícia que ganharia um rim. “Na hora que chegou o rim eu já não estava aguentando mais”.
Por último a costureira ressalta a importância de doar um órgão e tirar uma pessoa do sofrimento. “Nem todos têm a consciência que tem que doar um órgão, se todo mundo tivesse consciência não tinha tanta gente na fila. Doe, pois assim você vai tirar uma pessoa do sofrimento. Tem até crianças precisando”, ressaltou.
Marisangela Lima Rosa Oliveira fez hemodiálise por1 ano e 1 mês e hoje vive bem graças ao rim da irmã. Ela conta que ficou muito debilitada. “Em uma semana de tiraram quase 15 litros do meu corpo’.
A doadora que fez o ato de amor pela familiar foi Denizangela Lima Rosa, de 39 anos que doou para a irmã mais nova. “Quando recebemos a notícia em agosto de 2017, assim que minha irmã internou no Hospital Regional para começar o tratamento já comecei a buscar informações com a equipe médica sobre a possibilidade de transplante”.
Assim que soube que poderia doar para a irmã se fosse compatível, a família fez almoços beneficentes, com apoio de amigos e familiares para arrecadar dinheiro e fazer os exames e transplante em São Paulo, num hospital de referência para esses casos.
Porém após alguns problemas nos exames, elas voltaram para Campo Grande e fizeram o procedimento pela Santa Casa, e em setembro de 2018 foi realizado o transplante. “Em nenhum momento eu tive medo, a minha intenção era que minha irmã saísse daquele sofrimento. Enfim, aquele pesadelo acabou. Hoje em dia, quase 4 anos depois, vivo tranquilamente com um rim só, não tenho nenhuma limitação, nunca tive problemas, faço exames regularmente e está tudo normal”.
Ela finaliza aconselhando sobre doação. “Para as pessoas que tem um ente querido nessa situação, ou até mesmo que não seja da família, eu encorajo a fazer os exames e se tudo der certo, para os tipos de doação de órgãos que possam ser feitas entre vivos, faça sem medo, pois corremos risco todos os dias, em todas as situações. Não tem sensação melhor de poder conviver com alguém que você ama por muito mais tempo. Dinheiro nenhum paga a vida de uma pessoa. Manifeste a sua vontade para família. Doe órgãos, doe vida, doe amor”.