Poderia ser mais uma corrida matinal qualquer durante o fim de semana para Kaléu Freitas. Entretanto, o percurso ganhou uma visita inesperada. Ao longo do trajeto, em Jardim (MS), uma arara-canindé pousou no braço do policial civil e "não quis sair mais". Assista ao vídeo acima.

A ação da arara chamou atenção de Kaléu, que conseguiu registrar o encontro inusitado. O percurso da corrida é o mesmo feito pelo policial aos fins de semana, afastado da área urbana de Jardim. Porém, nesse domingo (30), duas companhias diferenciaram o trajeto. 

"Corro no mesmo lugar, é em um bairro que fica perto de uma fazenda. No início dessa corrida vi duas araras, elas olharam, ergui a mão e não deram moral. Uma das araras continuou me seguindo, de repente, uma das araras deu um rasante, eu levantei o braço e o bicho ficou", relembra aos risos Kaléu Freitas.

O medo foi inerente à situação. Assim que a arara pousou no braço, Kaléu não pensou duas vezes e registrou o momento. "Na hora fiquei com medo, ela ficou no braço, no ombro, por todo o corpo. Foram uns cinco minutos. Cheguei a ir com a arara em uma cerca para deixar lá, mas ela não queria sair do meu braço". 

No vídeo é possível ver o entusiasmo de Kaléu com o encontro. O policial reforçou que não tentou cevar (dar comida) o animal e nem passou a mão, por causa do medo. 

"O animal é silvestre, ela poderia arrancar minha orelha. Não encostei nela, deixei a arara tranquila. Me senti muito abençoado por Deus pela experiência. Sempre corro no mesmo local, voltei depois para ver se as araras estavam lá, mas não as achei", detalha o policial. 

Especialista levanta alerta

A presidente do Instituto Arara-Azul e professora no programa de pós-graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional em uma universidade particular de Campo Grande, Neiva Guedes, levantou alerta sobre a ação da arara. Para a especialista, a forma com que a ave pousou não é normal da espécie. 

"A arara deve ter sido domesticada. Provavelmente a arara do vídeo foi cevada, que é quando as pessoas domesticam o bicho com comida. Uma arara livre na natureza não faria o que fez no vídeo", comenta a especialista. 

Neiva detalha que a atitude do policial civil foi certa e dá orientações se o caso se repetir. "O rapaz é do bem. Se não fosse uma pessoa do bem, poderia roubar a arara e traficar. Não recomendamos que amanse ou domestique animais silvestres, é errado". 

Animais que fazem isso tiveram o comportamento alterado. Nestes casos, a pessoa deve manter a calma e fazer o possível para o bicho voar. Não deve se aproximar muito, não beijar e ficar perto. O bicho pode bicar, machucar e até transmitir doença".