O sonho de trabalhar na investigação criminal ganhou um capítulo especial para a estudante Laura Giovanna, de 13 anos. Apaixonada pelo universo da perícia desde criança, ela teve a oportunidade de passar um dia conhecendo de perto a estrutura da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, visitando núcleos especializados e conversando com profissionais que atuam diretamente na produção de provas técnicas utilizadas pela Justiça.

A visita proporcionou uma verdadeira imersão no trabalho desenvolvido pela instituição. Ao longo do dia, Laura percorreu diversos setores, entre eles o Núcleo de Balística Forense, Núcleo de Documentoscopia Forense, Núcleo de Computação Forense, Núcleo Criminal, Instituto de Análises Laboratoriais Forenses, Núcleo Especializado de Química e Toxicologia Forense, além do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol).

O interesse pela área surgiu ainda na infância, impulsionado por séries e programas sobre investigação criminal. Segundo ela, a curiosidade foi crescendo ao longo dos anos até se transformar em um objetivo profissional.

"Eu acho que o que ajudou muito foram as séries que eu assistia. Eu achava tudo muito interessante. Desde pequena eu gostava desse tipo de assunto e fui me interessando cada vez mais", contou.

Durante a visita, um dos setores que mais chamou a atenção da estudante foi o Núcleo de Balística Forense. Acompanhada pelos peritos Jucelino José de Souza Filho, Breno Dutra de Queiroz e Karla Lopes Mandu, ela conheceu técnicas utilizadas para identificar armas de fogo e relacionar projéteis e vestígios encontrados em cenas de crime.

No local, Laura teve contato com procedimentos que ajudam a esclarecer ocorrências e a estabelecer conexões entre diferentes investigações. A experiência reforçou ainda mais sua vontade de seguir carreira na área.

"Por enquanto, o setor que eu mais gostei foi o das armas", afirmou. "Todo mundo me recebeu muito bem. Estou gostando muito de tudo, todos foram muito gentis comigo. Eu adorei."

Questionada se a experiência poderia mudar seus planos profissionais, ela foi categórica: "Nunca vou desistir."

No Imol, Laura conversou com a médica-legista, Juliane Chaia Dionísio, que atua há quase duas décadas na área. Para a profissional, iniciativas como essa ajudam os jovens a compreenderem a realidade da profissão para além do que é mostrado na televisão.

"Eu acho muito legal ela já ter essa curiosidade. Muitas vezes o primeiro contato acontece por meio dos seriados e da televisão. Então é importante mostrar como funciona na prática, apresentar o dia a dia da profissão e não apenas o glamour que aparece na TV", explicou.

Juliane também aproveitou a oportunidade para deixar uma mensagem à estudante e a outros jovens que desejam seguir carreira na área pericial. "Estude bastante e tenha uma empatia muito grande com quem está do outro lado do atendimento. Ninguém chega aqui trazendo boas notícias. É um lugar bastante desafiador de trabalhar", destacou.

A mãe da estudante, Luciana Chaves, acompanhou toda a visita e contou que o interesse da filha pela perícia criminal surgiu há alguns anos, quando ela começou a fazer perguntas sobre investigações e cenas de crime.

"Aí chegou um dia em que ela falou: 'Mãe, eu quero ser perita criminal'. A gente leva um choque porque é uma profissão de muita responsabilidade. Mas ela bateu o pé e disse que seria perita criminal. Então eu falei que iria apoiá-la no que ela quisesse ser", relembrou.

Segundo Luciana, a visita ajudou a ampliar a visão da filha sobre as diversas possibilidades existentes dentro da Polícia Científica. "Hoje ela vai sair daqui com muito mais informação. Antes ela sabia que queria ser perita criminal, mas não conhecia todas as áreas e responsabilidades. Agora ela consegue entender melhor cada setor e talvez até descobrir qual área deseja seguir no futuro."

Orgulhosa do desempenho da filha, a mãe destaca que a dedicação aos estudos é uma das características que mais chamam atenção.

"Ela é muito esforçada, muito inteligente e muito paciente. Na escola, é sempre reconhecida pelas excelentes notas e frequentemente é destaque da turma."

Para Luciana, outro aspecto marcante da experiência foi descobrir a complexa estrutura que existe por trás das investigações científicas. "A gente vê a Polícia Científica de fora e não imagina tudo o que acontece até chegar a um resultado. São muitos profissionais e muitas áreas trabalhando juntas. Cada etapa é importante, cada análise tem um papel fundamental para chegar à conclusão final. Foi muito interessante conhecer essa engrenagem."

Ao final do dia, Laura saiu da visita com ainda mais convicção sobre o caminho que pretende seguir. Entre laboratórios, análises técnicas, exames periciais e investigações científicas, ela encontrou inspiração para continuar estudando e se preparando para, no futuro, integrar a equipe que hoje tanto admira.