Eles chegaram sem pedir nada em troca, conquistaram espaço aos poucos e hoje têm até “cargo” dentro das empresas onde vivem. Thor, Nicky, Neguinha e Bueno são exemplos de como a adoção pode transformar a rotina de animais e pessoas. No Dia do Vira-Lata, celebrado na última sexta-feira (31), histórias como essas reforçam a importância de oferecer uma oportunidade para animais que precisam de um lar.

Em uma rede atacadista de Campo Grande, Thor, Nicky e Neguinha são muito mais do que cães adotados. Eles fazem parte da rotina da empresa, acompanham o dia a dia dos colaboradores e conquistaram o carinho de funcionários e clientes.

“Desde quando começou a loja, inaugurou a loja, a gente tem esses cachorros aí. E ele acompanha o dia-a-dia da gente aí”, conta Rodrigo Ribeiro, subgerente da unidade.

Com espaço garantido dentro da empresa, os três cães ganharam até crachás de identificação. A função registrada é de “auxiliar de vigia”, em uma brincadeira que representa a presença constante dos animais na rotina do local.

Neguinha, Nick e Thor Foto: Vitor Kramer

O único problema é que manter o crachá no pescoço parece ser uma tarefa difícil para alguns deles, principalmente para Neguinha. “Normalmente não param, principalmente a Neguinha é uma que mais perde esse crachá dela, mas é pura diversão ter eles com a gente”, brinca Rodrigo.

A presença dos cães também ajuda a reforçar a mensagem do Dia do Vira-Lata. "Eles são sem raça definida, mas conquistaram a todos aqui e transformou nosso ambiente de trabalho", afirmou.

Mas os cães não são os únicos animais que encontraram acolhimento dentro de uma empresa. Na Casa Hub, em Campo Grande, quem ganhou o coração dos colaboradores foi Bueno, um gato branco que apareceu de surpresa e rapidamente virou o mascote do espaço.

A história começou em 11 de março de 2026, quando o sócio-diretor encontrou o filhote abandonado. O gatinho estava sujo, era pequeno e muito dócil. “Ele apareceu todo sujinho, bem pequenininho, bem novinho. Tava abandonado. Todo mundo já foi parecendo, ah, esse gatinho, coisa fofa. Então assim, não tivemos nem muito tempo de pensar o que faríamos com ele. Todo mundo já, ah, vamos adotar, vamos adotar”, lembra Mariana Spiqza, coordenadora de marketing da Hub.

Bueno Foto: Vitor Kramer

Hoje, Bueno tem cerca de oito meses e mora na empresa, onde ganhou um cantinho só dele. Durante o dia, circula entre mesas e salas, acompanhando o movimento dos colaboradores. À noite, tem livre acesso ao salão de atendimento e fica com o prédio praticamente todo para ele.

Na copa dos funcionários, ele tem espaço com ração, água e caminha, mas a preferência do mascote são mesmo as mesas de trabalho. O único lugar onde Bueno não pode entrar são os decorados, já que, como um bom gato, gosta de explorar, morder e derrubar o que encontra pela frente.

Todas as despesas do animal ficam por conta da instituição, ração, petiscos, consultas veterinárias e até pet shop, tudo sob responsabilidade da gestão da empresa, enquanto os colaboradores ajudam nos cuidados diários.

Com o jeito carismático, Bueno também conquistou espaço fora da rotina interna e virou uma espécie de garoto-propaganda da empresa. O gato já participou de campanhas nas redes sociais, ações comemorativas e até da divulgação da Feirinha Casa Hub.

“Ele já participou de campanha de dia do trabalhador, pra campanha de divulgação da nossa festa junina. Foi o primeiro a arraiar a Hub aqui, né? Ele apareceu com uma fotinha bem a caráter, né, de festa junina. Então as pessoas gostaram muito dele aparecer nas nossas redes sociais, né?”, conta Mariana.

O sucesso do mascote fez com que visitantes passassem a procurar por ele quando chegam ao espaço. “As pessoas já chegam perguntando dele, assim, ah, cadê o gatinho? Pode passar a mão nele? Posso passear com ele? Sabe? Muito, muito legal”, relata Mariana.

O Dia do Vira-Lata também chama atenção para uma realidade que ainda preocupa. Segundo dados do Instituto Pet Brasil (IPB), cerca de 4,8 milhões de cães e gatos vivem atualmente em situação de vulnerabilidade no Brasil. Mais de 201 mil estão acolhidos por ONGs e protetores independentes.

Entre os principais motivos relacionados ao abandono estão mudanças de residência, dificuldades financeiras, falta de planejamento e expectativas incompatíveis com a rotina de um animal de estimação.

Histórias como as de Thor, Nicky, Neguinha e Bueno mostram que a adoção pode mudar destinos. Eles ganharam um lar, uma rotina e uma família e, em troca, passaram a oferecer aquilo que fazem melhor: companhia, carinho e muitos momentos de alegria.