O Dia do Feirante, celebrado em 25 de agosto, destaca a luta de trabalhadores que acordam cedo, montam suas bancas e fazem das feiras uma fonte de renda e convivência. Entre eles está Luciano Leopoldino, que há mais de 25 anos vive da atividade e começou como funcionário da antiga Feira Central.

A história mudou durante uma viagem a Ponta Porã, quando Luciano foi buscar mercadorias para o patrão. Ao conhecer os preços, percebeu que poderia ter o próprio negócio. Ele começou comprando, com o próprio dinheiro, produtos que não eram vendidos na banca onde trabalhava. Depois de quatro anos como funcionário, surgiu a oportunidade de comprar um ponto. Mesmo com pouco capital, parcelou o negócio e começou a trabalhar por conta própria.

“Não foi fácil. Comecei com pouca mercadoria. Como não tinha dinheiro para comprar, comprava fiado. Toda semana tinha cheque para pagar, contas. Era um sufoco danado como todo começo”, relembra.

Com o tempo a feira virou a base de sua vida. Foi com o trabalho que comprou casa, carro e moto e construiu a família. Também foi na feira que conheceu a esposa. “Minhas coisas vieram tudo da feira: minha casa, minha mulher, minha família, meus amigos. Tudo veio da feira", conta.

Luciano trabalha com feiras em quatro bairros de Campo Grande. Hoje, é vice-presidente das feirinhas e acompanha a rotina dos trabalhadores. Antes de o público chegar, é preciso transportar as mercadorias, montar a banca e organizar os produtos. No fim, tudo é desmontado e levado de volta. Sol e chuva fazem parte da jornada.

“Se está sol, ótimo. Mas quando pega chuva na feira, você tem que trabalhar do mesmo jeito. Tem que montar, atender, desmontar e ir embora com tudo molhado. Faz parte", comenta bem humorado.

Luciano também percebe mudanças no movimento das feiras. Segundo ele, a divulgação nas redes sociais ajudou a atrair novos públicos. “As feiras estão em alta. Os influenciadores estão mostrando e isso está trazendo muita gente. Hoje as feiras estão lotando”, comemora.

Quem compra também faz parte

Aos 71 anos, Catarina Butinhol é uma das frequentadoras na feira da Vila Célia. Para ela, a qualidade dos produtos é o principal motivo para continuar indo às compras.

“É a qualidade da verdura. É isso que eu venho encontrar, e eu já sei um pouquinho de cada barraca, conheço bem o pessoal daqui e já tenho minhas preferências”, conta.

Além de admirar os serviços e produtos oferecidos, a aposentada também reconhece o esforço de quem trabalha no local e faz a feira acontecer. “Eu acredito que seja muito difícil ser feirante, sabe? Porque acorda cedo, trabalha muito, né? Mas é um serviço, creio, gratificante”, celebra.