Uma tradição no BBB desde Thelma Regina na 20ª temporada vem refletindo a percepção que as mulheres tem do próprio cabelo na sociedade atual, enquanto Thelma, Linn da Quebrada e Brunna Gonçalves tiraram as tranças para assumirem o crespo e cacheado na edição, aqui fora, mulheres de todas as idades começam a parar de alisar as 'madeixas'.

O cabelo liso, por muitos anos foi imposto como padrão, fazendo com que meninas e rapazes se sentissem menos confiantes com a cabeleira ‘armada’, hoje a aceitação é muito maior, e cresce quando nos vemos representadas nas novelas da TV ou cinema.

Umas das jovens que mudou o look radicalmente foi Eduarda Bernardes de 23 anos, corretora de imóveis, desde os 9 anos já deixou de usar os cabelos naturais para usar químicas de alisamento, mas sua visão mudou depois de um babyliss. “Tive a vontade de passar pela transição porque fiz uma finalização no meu cabelo com babyliss, e visivelmente foi atrativo, ficou diferente, pois meu cabelo já parecia cabelo de milho, eu fazia progressiva, não durava nem um mês e já ficava com aspecto feio’ contou.

Após ver o resultado, em 2015 aos 17 anos Eduarda decidiu iniciar a transição. “Fiquei 1 ano e seis meses com o cabelo crescendo, e cortei as pontas em julho de 2016”, assim como muitas mulheres e homens, Eduarda diz que foi complicado lidar com os fios nesse período. “A minha transição foi complicada porque a gente não sabe o que fazer, passava chapinha na franja e deixava o cabelo preso no coque ou no rabo de cavalo, e por causa da fonte de calor acabou danificando o cabelo”, mas ela ressalta que tudo melhorou com o tempo.

No caso de Eduarda, ela diz que pode contar no dedo quantas pessoas reclamaram do seu novo estilo, pois combinou muito mais com ela, mas a incomodou a forma como desconhecidos a olhavam como se fosse algo exótico. “Quando entrei na transição, cabelo afro ainda era diferente, e eu gosto muito de finalizar e definir, e teve uma vez que eu estava numa loja e duas senhoras cochichavam e me olhavam, e uma delas chegou e falou pra mim “seu cabelo é peruca né”, e disse que não tinha como ficar daquele jeito naturalmente, isso me incomodou porque te olham como alguém exótico que não se vê na rua o tempo todo’. Longe dos olhares preconceituosos, hoje Eduardo esbanja beleza com seus cachinhos tão soltos como devem ser.

Aos 39 anos, Adriana Gabas que está passando pela transição conta que um dos motivos que a fez alisar o cabelo foi a facilidade dos fios lisos, e manteve assim por três anos. “Sempre tive vontade de ter o cabelo liso, gosto do meu cabelo cacheado, mas fui mexendo e fui perdendo um pouco dos cachos, ele foi ficando ondulado, de tanto que mexi e depois de anos eu tive coragem de fazer a progressiva”, ela contou que antes tinha medo do procedimento e após fazer a primeira vez, gostou do resultado.

Porém após esse tempo ela decidiu manter os cachos e aprendeu a valorizar seu cabelo natural. “Hoje estou na transição, tem que ter muita paciência, e persistência e vale a pena. Agora meu cabelo está mais cacheado, com cachos definidos, estou amando, e eu vou manter ele agora, não quero mais ele liso, eu tinha vontade de manter liso pela facilidade, mas vale a pena naturalizar, porque o cacho é muito bonito”, frisou.

Já Bruna Gonzaga de 25 anos conta que mudança aconteceu de dentro pra fora, pois quando alisou, no final do ensino médio, o cabelo cacheado não era enaltecido como é hoje. “E o fator encolhimento fazia com que eu não me sentisse muito bem. Fiquei com o cabelo liso por cerca de dois anos, e quando os fios começaram a cair muito, resolvi passar pela transição”, segundo ela, a mudança é um período em que que o cabelo não fica muito bonito e autoestima fica baixa.

“Durou cerca de 10 meses ,e também foi importante pra minha auto aceitação. Pra mim a transição foi um processo de dentro para fora e não só estético”, afirmou. Em relação a críticas, Bruna soube lidar bem. “Algumas pessoas ainda falam que liso era bonito, mas isso hoje não me afeta, porque a transição foi um processo de aceitação e hoje eu me amo mais, só respondo que prefiro cacheado e está tudo certo”, finaliza.

A transição também não foi um processo fácil para esta que vos fala, com experiência de anos no assunto, cedi espaço no meu posto de jornalista para o de fonte, já que alisando o cabelo desde muito nova, os cachos de hoje são motivo de orgulho.

Não foi fácil, não vou mentir, vai ter dias em que o espelho pode ser o pior inimigo, já em outros familiares e amigos podem falar que “era melhor liso”, mas persista, encontre alguém que te apoie. Hoje meus fios estão livres, às vezes livres demais, às vezes dão trabalho, mas a Sarah que vejo com cabelo cacheado é a que reconheço.