Cultura
Fórum de Jornalistas homenageia centenário de Manoel de Barros
Durante a abertura do II Fórum Nacional de Jornalistas da Mídia Eletrônico, Turismo e Meio Ambiente, que aconteceu na última segunda-feira (21) em Bonito, o jornalista e diretor presidente da Rádio e TV Educativa/MS, Bosco Martins, homenageou o poeta Manoel de Barros. “Até hoje quando me chamam para falar de Manoel eu digo e repito: não é nenhum ‘despropósito’ afirmar que ele inventou sua própria literatura, a literatura pantaneira”, destacou.
Ao lado da compositora e cantora Lenilde Ramos, Martins usou a poesia de Carlos Drummond de Andrade para se referir ao poeta, afirmando, sem nenhum receio, que sua vida foi “mais bonita do que a de Robson Crusoé”. Segundo o jornalista, Manoel “ é tido como reinventor da poesia e aclamado pela crítica e por colegas como Drummond, do qual o poeta também era um grande fã”.
Já Lenilde emprestou a poesia de Manoel para dar vida a sua melodia. “Quando eu disse para ele que queria musicar seus poemas, ele já me respondeu de cara: Lenilde não me venha com nada bonitinho”, brincou a amiga, antes de começar sua apresentação.
Bosco e Lenilde foram escolhidos para prestar a homenagem em meio a renomados representantes da mídia sul-mato-grossense e nacional, por fazerem parte do seleto grupo de pessoas que conviveram e frequentaram a casa do poeta Manoel de Barros, na Rua Piratininga em Campo Grande.
Mesmo tendo a natureza e vida pantaneira como inspiração para seus poemas, Manoel não gostava de quando o limitavam como “poeta do Pantanal”. Como amigo próximo, Bosco conta que tiveram várias discussões sobre isso, onde frequentemente reforçava a importância desse estereótipo. “Eu sempre insistia e discordava dele sobre esse limitante, argumentando que na verdade a associação de sua literatura com o universo pantaneiro também é um diferencial de sua poesia. Foi essa regionalidade que projetou o poeta, Mato Grosso do Sul e o Brasil para dimensões universais”, destacou.
Ainda de acordo com o jornalista, os poemas de Manoel eram tão peculiares e ‘de tamanha competência’, que foi capaz de criar um vocábulo próprio, revolucionando a linguagem. Só para dar um exemplo, na ‘literatura pantaneira’, segundo Bosco, "a tríade denominada próclise, mesóclise e ênclise nunca mais foi a mesma depois de sua escrita".
Martins finalizou afirmando que a poesia de Manoel de Barros é de um lugar onde a natureza não se anuncia através de clichês. “Mais que um espaço íntimo de poesia pessoal e bucólica, Manoel criou uma poesia irreverente, uma escuta silenciosa de uma realidade até então desconhecida que era o Pantanal”.
A cerimônia de lançamento do Fórum aconteceu no Zagaia Eco Resorte contou com a presença ilustre do governador Reinaldo Azambuja e do ministro do Turismo Marx Beltrão, além de importantes nomes do turismo sul-mato-grossense e de cerca de 50 jornalistas de todo o país