Economia
Índice de endividamento cai com famílias priorizando pagamento de dívidas
Dívidas caíram 169 pontuações e atingem 30 pontos
Caíram os índices de Negativação do Comércio (INC) e de Recuperação de Crédito (IRC) devido as pessoas estarem consumindo e se endividando menos e como consequência solicitam pouco crédito no mercado, de acordo com o boletim produzido pela Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) para estudar a inadimplência em Campo Grande. A tendência de queda já vinha desde fevereiro.
Considerando que a sazonalidade é uma característica da atividade comercial, tanto o INC quanto o IRC foram desenvolvidos com base fixa definida pela média do desempenho do ano de 2014. Portanto, os valores acima de 100 pontos são os que ultrapassam a média obtida no ano de 2014, e os valores abaixo de 100 estão aquém da média.
O Índice de Negativação do Comércio apurado pela ACICG (INC/ACICG) encerrou o mês abril em 30 pontos, exatamente o mesmo indicador de abril de 2014, e com decréscimo de 169 pontos em relação a abril de 2015. “Nota-se claramente uma trajetória de redução desse indicador, sobretudo a partir de fevereiro. Não há nenhuma dúvida em relação às causas desse movimento, pois com as incertezas derivadas do comportamento da economia, as famílias reduziram severamente o consumo e passaram a priorizar a regularização de seus compromissos, resultando em redução nas negativações registradas”, analisa o economista da ACICG, Normann Kallmus.
O economista diz que em 2015 os consumidores buscaram equilibrar seus orçamentos no decorrer do ano, diferentemente do que aconteceu no segundo semestre de 2014, início do período em que ficaram evidentes os sinais de queda do desempenho da economia brasileira. “Apesar do “soluço” registrado em janeiro de 2016, o INC dos meses seguintes parece indicar que esse comportamento irá se manter no ano em curso”, acredita.
IRC – Em abril, o Índice de Recuperação de Crédito foi de 71 pontos, contra 190 em abril de 2015 e 58 em 2014. “O que pode à primeira vista parecer preocupante, visto tratar-se de uma queda significativa em relação aos períodos anteriores, acaba sendo compensado pelo fato de que a atividade do comércio como um todo também apresentou queda, e a tendência de negativação está ainda mais reduzida. Trocando em miúdos, por estarem se endividando menos, as famílias estão buscando menos recuperação do crédito”, explica Kalmmus.
Segundo ele, embora seja decrescente, a situação ainda é preocupante uma vez que o estoque da dívida é considerável em função do comportamento anômalo do final de 2014. “Ainda que tanto o INC quanto o IRC estejam em queda, a negativação permanece bastante aquém da recuperação do crédito”, completa.
Pontos de atenção – O economista da ACICG alerta que empresário deve estar atento a alguns aspectos que podem se constituir em ameaças ou oportunidades aos negócios nas próximas semanas. Na esfera federal, o impeachment afastará as condições para discutir-se aumentos ou criação de novos tributos antes que sejam apresentados resultados da nova equipe econômica, como tem se confirmado nas entrevistas do Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.
A queda do Movimento do Comércio Varejista (MCV/ACICG) de abril, deverá garantir um Índice de Negativação do Comércio (INC) em níveis baixos em maio. “A volta do crescimento da inflação reportada no IPCA- 15 (IBGE) poderá, no entanto, pressionar negativamente os orçamentos familiares, comprometendo a capacidade de pagamento. No nível estadual a insistência do governo em justificar o aumento da carga tributária para viabilizar investimentos, continuará trazendo enorme custo para a economia local, o que pode ser claramente verificado a partir da constatação da redução do Movimento do Comércio Varejista de Pessoa Jurídica (MCV-PJ) já demonstrado”, finaliza Normann Kallmus.
O boletim na íntegra bem como a pesquisa sobre o Movimento do Comércio Varejista podem ser consultados clicando aqui.