Economia
Fábrica de Três Lagoas comprada pelos russos, "sobe no telhado"
Secretário Jaime Verruck reconhece problemas em acordo com os russos, e expõem novas dificuldades
Foi anunciado no dia 4 de fevereiro, pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina a venda da fábrica de fertilizantes da Petrobrás em Três Lagoas para o grupo russo Acron. Na mesma data a Petrobras confirmou a venda.
Com o ataque a Ucrânia no último dia 24, e início da guerra conta o país, muitas vertentes comerciais que envolvam a Rússia ficaram abaladas. O JD1 Notícias conversou com o secretário da Semagro, Jaime Verruk que explicou como fica essa questão para o país.
O grupo Acron fez um acordo com a Petrobras da aquisição de 100% da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III), a partir desse acordo começou a se efetivar uma série de andamentos do ponto de vista de transferência fiscal da planta, do que que eles vão fazer qual o nível de investimento, qual o prazo desse investimento, qual o emprego gerado. Era nessa fase da avaliação que se encontrava.
Novo cenário
Para Verruk, é natural que ocorra um retardamento em termos de propostas técnicas e de avaliação em função da guerra. “É importante destacar que na guerra só existem perdedores, podem ser que hajam perdedores maiores e menores, mas só teremos perdedores, não há ganhadores em guerra. Então esse cenário é muito ruim pro agro brasileiro, em termos de fertilizantes. É ruim pela desorganização das cadeias mundiais de logística, pois nós estávamos acabando de sair da covid e ainda fazendo uma reestruturação dessa cadeia logística de fornecimento e fluxo de produtos, e agora novamente a guerra agrava esse problema que se trata exatamente do registro de cadeias mundiais, fechamento de portes, aumento do custo de fretes, falta de produtos em alguns lugares, sobra de produtos em outros e instabilidade cambial e esses fatos acabam gerando um problema grave”, afirma.
Ele pontua ainda que é fato uma situação preocupante, mas que só seria necessária mais lá na frente. “Eu entendo que existe sim um uma preocupação, as negociações continuam e avaliam no retardamento desse processo de consolidação da contratualização e acredito que a questão das sanções econômicas que estão sendo apresentadas, criam uma situação preocupante em relação ao desfecho da UNF3 agravando ainda mais a situação de fertilizantes no Brasil”, finaliza Verruk.