A recuperação judicial da empresa frigorífica Balbinos Agroindustrial Ltda, em Sidrolândia, entrou em um novo capítulo de instabilidade e já coloca em risco aproximadamente 350 empregos diretos ligados à operação do frigorífico.

Segundo informou ao JD1 Notícias o advogado da empresa, Lucas Gomes Mochi, as atividades estão paralisadas após bloqueios realizados em contas bancárias, o que teria comprometido o capital de giro e inviabilizado a manutenção das operações mínimas.

De acordo com o advogado, não houve ordem judicial para o bloqueio das contas, sendo as retenções realizadas diretamente por instituições financeiras. “Não teve ordem de bloqueio judicial. Os bancos fizeram essa retenção direto da conta do frigorífico arbitrariamente e unilateralmente, sem uma ordem judicial”, afirmou Mochi.

Ele explica ainda que os bancos teriam retido valores de recebíveis da empresa provenientes da venda de carne, o que agravou a situação financeira. “Fizeram esse procedimento por conta, sem decisão judicial, de forma arbitrária. Bloquearam as contas do frigorífico e ficaram recebendo os dinheiros que a empresa tinha de recebíveis de vendas de carne e não deram mais acesso para a empresa e os valores sendo creditados na conta”, disse.

Segundo o advogado, a situação resultou na paralisação das operações e aumenta o risco de impacto social e econômico,  “Nossa preocupação vai além da empresa em si. Estamos falando de centenas de famílias, produtores rurais, fornecedores e de toda a cadeia econômica que depende direta ou indiretamente dessa atividade”, declarou Mochi.

O advogado ressalta que a empresa está em processo de recuperação judicial e que o objetivo do instrumento legal é justamente permitir a continuidade da atividade econômica. “A lógica da recuperação judicial é justamente permitir que empresas viáveis continuem operando, preservando empregos, mantendo a atividade econômica e criando condições para pagamento dos credores”.

A defesa afirma que atua para tentar viabilizar a retomada das operações, “O grande desafio neste momento é viabilizar a retomada das operações, porque uma empresa funcionando gera receita, preserva empregos e aumenta as perspectivas de pagamento de todos os envolvidos, Por isso, todos os esforços estão sendo direcionados para buscar condições que permitam a retomada das atividades e a preservação dos empregos”, afirmou o advogado.

Segundo ele, a situação envolvendo bloqueios de contas não seria compatível com o funcionamento de uma empresa em recuperação judicial.

“A recuperação judicial depende da geração de caixa. Uma empresa produzindo possui condições de honrar seus compromissos. Uma empresa parada não gera receita e, consequentemente, reduz as perspectivas de recebimento dos credores. Por isso, a preservação da atividade econômica é um ponto central neste momento. O interesse de todos — trabalhadores, produtores rurais, fornecedores e credores — é que a empresa volte a funcionar.”

O advogado também informou que existem discussões envolvendo recursos financeiros vinculados à operação da empresa, que estão sendo tratadas dentro do processo judicial. 

“Independentemente das posições jurídicas envolvidas, o fato concreto é que a retomada das atividades depende da existência de capital de giro. E é justamente por isso que a preservação da atividade econômica se tornou uma questão fundamental não apenas para a empresa, mas para trabalhadores, produtores rurais, fornecedores e todos os demais credores”, explicou.

Setor produtivo manifesta preocupação

O presidente da Acrissul, Guilherme Bumlai, ao ser procurado pelo JD1 Notícias, afirmou que sua manifestação se limita aos créditos de produtores rurais envolvidos na recuperação judicial. Ele destacou a importância da manutenção das atividades do frigorífico para geração de caixa e pagamento das dívidas, incluindo valores devidos a produtores rurais, que ultrapassariam R$ 40 milhões.

“Para que ele possa gerar caixa e consequentemente pagar as dívidas que estão na recuperação judicial, dentre elas as dívidas com os produtores rurais - algo que passa dos R$ 40 milhões”, disse Bumlai.

Segundo ele, a paralisação preocupa diretamente o setor,  “Então isso é o que nos preocupa, porque se ele não estando em atividade, a princípio fica complicado ter geração de caixa para pagar a dívida”, comentou.

Guilherme Bumlai também defendeu a retomada das atividades como forma de viabilizar o pagamento dos credores. “Nós estamos muito preocupados em relação a não manutenção das atividades do frigorífico. E a gente espera que ele possa retomar as atividades, para que possa ter uma proposta de pagamento dos credores”, afirmou.

Caso segue em discussão

A defesa esclareceu que está tomando medidas para dar continuidade às operações da empresa. “Após as retenções indevidas pelos dois bancos, a empresa, sem capital, não consegue manter suas atividades e está há 90 dias com suas operações paradas. Já fizemos todos os pedidos e recursos cabíveis para reverter isso”, afirmou.

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