A indústria brasileira registrou uma desaceleração mais intensa do que a esperada em junho e fechou o segundo trimestre do ano em ritmo mais fraco. Dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a produção industrial caiu 1,8% na comparação com maio, marcando o segundo mês consecutivo de retração.

Apesar da queda no mês, o setor ainda apresentou crescimento de 1,7% em relação a junho do ano passado. No acumulado do segundo trimestre, a indústria avançou apenas 0,3% frente aos três meses anteriores, indicando perda de força após um início de ano mais favorável.

Segundo o gerente da pesquisa industrial do IBGE, André Macedo, o cenário mostra uma interrupção da trajetória de crescimento observada nos primeiros meses de 2026.

"O que pode se dizer é que há uma interrupção da trajetória ascendente da indústria. Há uma menor intensidade do setor industrial com espalhamento da queda", afirmou.

Macedo atribui o desempenho à combinação de fatores como a política monetária restritiva, o aumento da inadimplência e a redução do consumo das famílias. Além disso, paralisações em plantas industriais também contribuíram para o resultado, em uma tentativa das empresas de ajustar a produção à demanda mais fraca.

Entre os segmentos que mais influenciaram o recuo da indústria está o de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que registrou queda de 5,9% em junho. Foi o segundo mês seguido de retração para o setor, que acumula perda de 11,8% no período.

De acordo com o IBGE, a redução foi puxada pela menor produção de álcool, gasolina e diesel. O instituto destaca que o processamento da cana-de-açúcar costuma diminuir entre maio e junho em razão do aumento das chuvas, o que impacta diretamente a fabricação desses produtos.

Outras atividades também contribuíram para o resultado negativo, como produtos químicos, com queda de 4,3%; alimentos, que recuaram 1,9%; produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com baixa de 11%; confecção de artigos do vestuário e acessórios, também com retração de 11%; e equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos, que caíram 8,9%.

O desempenho da indústria ocorre em um momento de expectativa em torno da política monetária. Com a taxa básica de juros em 14,25% ao ano, analistas avaliam que o nível elevado da Selic continua limitando investimentos e o consumo. O mercado espera que o Banco Central anuncie um novo corte de 0,25 ponto percentual na reunião desta quarta-feira (5), dando sequência ao ciclo de redução dos juros iniciado neste ano.