Economia
Ibovespa cai pelo segundo dia após rali eleitoral, enquanto dólar sobe
Bolsa recuou 0,74% nesta quarta-feira, em sessão marcada por realização de lucros e cautela dos investidores diante do cenário político e econômico
O Ibovespa fechou em queda pelo segundo dia consecutivo nesta quarta-feira (7), após a forte valorização registrada no início da semana. O principal índice da Bolsa brasileira recuou 0,74%, aos 204.302,33 pontos, em um movimento de realização de lucros e maior cautela dos investidores. Durante o pregão, o índice oscilou entre 204.176,12 e 206.877,47 pontos, enquanto o volume financeiro movimentado foi de R$ 40,3 bilhões.
A baixa foi pressionada principalmente pelas ações da Vale, que recuaram 2,30%, e pelo setor financeiro, com todos os bancos encerrando o dia no campo negativo. Na direção contrária, a Petrobras ajudou a limitar a queda do índice. As ações ordinárias da companhia (PETR3) subiram 1,25%, enquanto as preferenciais (PETR4) avançaram 0,95%.
Entre as empresas mais ligadas à economia doméstica, Magazine Luiza (MGLU3), Tenda (TEND3), Cury (CURY3) e Marfrig (MBRF3) ficaram entre os destaques positivos da sessão. Mesmo com a queda desta quarta-feira, o Ibovespa permanece em níveis elevados após o forte rali observado no começo de outubro, quando os ativos brasileiros reagiram ao resultado do primeiro turno das eleições.
Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o movimento representa uma acomodação depois da alta expressiva registrada nos primeiros pregões do mês. Segundo ela, o mercado passou a adotar uma postura mais seletiva, acompanhando principalmente os balanços das empresas e a situação fiscal do país, enquanto a entrada de recursos estrangeiros continua dando sustentação aos ativos brasileiros.
Dólar avança e fecha acima de R$ 5
O dólar à vista terminou o dia em alta de 0,70% ante o real, cotado a R$ 5,011. A moeda americana chegou a oscilar entre R$ 4,982 e R$ 5,016 ao longo da sessão.
A valorização ocorreu em meio à alta do dólar no exterior e à atenção dos investidores para o cenário político e econômico brasileiro. No mercado internacional, a ata da reunião de setembro do Federal Reserve trouxe sinais considerados mais duros em relação aos próximos passos da política monetária dos Estados Unidos.
Embora o mercado avalie como provável a manutenção dos juros americanos neste mês, o documento mostrou divergências entre os dirigentes do Fed. Parte deles ainda considera possível uma nova elevação dos juros nos Estados Unidos até o fim do ano.
No Brasil, declarações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também influenciaram os negócios na reta final do pregão. Ele afirmou que a tramitação da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 pode ser acelerada caso um senador apresente requerimento nesse sentido e o pedido seja aprovado pelo plenário.
Para Nossig, o câmbio também passou por um movimento de acomodação, em um cenário de menor volatilidade doméstica e manutenção do interesse de investidores estrangeiros pelos ativos brasileiros.
Bolsas americanas fecham em baixa
No exterior, os principais índices de Wall Street terminaram a quarta-feira em queda. O Dow Jones recuou 0,66%, aos 51.179,87 pontos. O S&P 500 caiu 0,22%, aos 7.801,77 pontos, enquanto o Nasdaq teve baixa de 0,22%, aos 27.538,69 pontos.
Os investidores acompanharam principalmente o comportamento dos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e as sinalizações do Federal Reserve sobre a trajetória da política monetária. A elevação dos rendimentos dos Treasuries contribuiu para limitar o apetite por ativos de maior risco.
Na avaliação de Nossig, o desempenho dos índices americanos refletiu uma postura de espera dos investidores diante das incertezas sobre os próximos passos do Fed.
Petróleo recua mesmo com novas tensões no Oriente Médio
Os preços do petróleo também terminaram o dia em baixa. O mercado avaliou sinais de recuperação da oferta no Oriente Médio, o que reduziu parte do prêmio de risco incorporado aos preços da commodity.
O petróleo Brent para dezembro recuou 0,38%, para US$ 100,20 por barril. Já o WTI para novembro caiu 1,30%, a US$ 88,28.
A queda ocorreu apesar de novos episódios de tensão na região, incluindo relatos envolvendo Irã, houthis e embarcações próximas ao Estreito de Ormuz. Os investidores também acompanharam os impactos de tempestades sobre a produção no Golfo do México.
Mesmo diante dos riscos geopolíticos, a percepção de melhora no fornecimento prevaleceu no mercado e levou os contratos futuros a encerrarem a sessão em queda.