O futevôlei entrou na vida Gilson Aureliano há 33 anos e não saiu nunca mais, passando a ocupar um espaço definitivo na vida do policial militar. Tudo começou com uma brincadeira entre amigos em um bairro de Campo Grande, mas depois a situação passou a ficar mais séria e de repente, o que um hobby virou uma trajetória marcada por títulos. Hoje, ele trabalha com formação de atletas e na atuação no desenvolvimento da modalidade dentro e fora do Brasil.

Além de empresário e treinador, Gilson concilia a rotina no esporte com a carreira na Polícia Militar, dedicando boa parte do tempo ao projeto Gilson Treinamento de Futevôlei, o GTF. Mas a relação com o esporte nasceu de forma espontânea, antes mesmo de ele conhecer oficialmente o futevôlei.

"Nós começamos a jogar futevôlei sem saber que era futevôlei. Quando chegamos à chácara e vimos a rede montada na areia, ali começou realmente a nossa caminhada", relembra. Desde então, o esporte deixou de ser apenas um passatempo para se tornar profissão, propósito e estilo de vida.

Atualmente, Gilson atua como técnico da Seleção Brasileira Master, com a qual conquistou dois títulos mundiais, dirige uma equipe profissional sul-mato-grossense e ocupa cargos técnicos em entidades nacionais e internacionais ligadas ao futevôlei. Mesmo com uma rotina intensa, ele afirma que o esporte representa muito mais do que uma atividade profissional.

"O futevôlei não é apenas negócio. É família, qualidade de vida, lazer e uma ferramenta para ajudar pessoas. Tenho um débito com esse esporte por tudo o que ele me proporcionou ao longo da vida", destaca.

Ao JD1 Notícias, Gilson afirma que uma das maiores lições aprendidas dentro das quadras foi entender que a postura do atleta vai muito além dos resultados esportivos. Segundo ele, a forma como cada profissional se relaciona com colegas, organizadores e torcedores influencia diretamente o futuro dentro da modalidade.

"Tudo o que você faz reflete na sua carreira. Não basta ser bom dentro da quadra, a maneira como você trata as pessoas também define o caminho que seguirá depois que a carreira de atleta terminar", afirma. Essa filosofia também é aplicada no trabalho desenvolvido pela GTF, centro de treinamento fundado em Campo Grande. O projeto reúne desde alunos que nunca tiveram contato com qualquer modalidade esportiva até atletas profissionais que disputam competições de alto rendimento.

Segundo Gilson, o diferencial está em uma metodologia própria de ensino, desenvolvida ao longo de mais de duas décadas de experiência como professor. A proposta acompanha o desenvolvimento do aluno desde os primeiros movimentos na areia, passando pela coordenação motora, fundamentos técnicos e evolução gradativa até o treinamento de performance.

Além da atuação como treinador, o campo da gestão esportiva também passou a fazer parte da trajetória do sul-mato-grossense. Para ele, o futevôlei vive atualmente um dos momentos mais importantes de sua história, impulsionado pela profissionalização de atletas, patrocinadores e competições.

Ainda assim, avalia que existem desafios significativos relacionados à organização institucional da modalidade. "O futevôlei evoluiu muito tecnicamente e hoje caminha para o profissionalismo. Mas ainda precisamos avançar na organização e no reconhecimento do esporte para que ele alcance um novo patamar", avalia.

Segundo Gilson, a integração entre federações, entidades internacionais e organizadores de eventos privados é um dos principais desafios para consolidar o crescimento da modalidade e ampliar sua representatividade no cenário esportivo.

Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo da carreira, ele afirma que nunca cogitou abandonar o esporte. Em 2003, quando figurava entre os principais atletas do país, decidiu interromper temporariamente a carreira competitiva para investir em qualificação profissional. Na época, viver exclusivamente das premiações dos campeonatos ainda não oferecia segurança financeira.

"Nunca pensei em desistir. Apenas fiz uma pausa para me preparar. Eu sabia onde queria chegar e acreditava no potencial que o futevôlei teria em Campo Grande e no Mato Grosso do Sul", recorda.