O governo federal mudou a estratégia para tentar buscar uma solução para os conflitos indígenas em Mato Grosso do Sul. Os esforços que antes foram concentrados, sem sucesso, na área indígena Buriti, em Sidrolândia, a 64 km de Campo Grande, agora serão voltados para cinco áreas do Estado. A medida foi anunciada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que se reuniu ontem (2) com produtores rurais e lideranças indígenas, em Campo Grande.

 

A visita ocorreu quatro dias após a morte do índio Simeão Fernandes Vilhalva, 26, durante confronto com fazendeiros no município de Antônio João, a 253 km de Campo Grande. O conflito na região começou no dia 22 de agosto quando cinco fazendas foram ocupadas pelos indígenas, que reivindicam a retomada da terra indígena Nãnderu Marangatu, homologada em 2005. O ministro propôs o início do processo de mediação e determinou que sejam paralisadas a retomada de terras por parte dos indígenas e a reintegração de posse pelos produtores rurais.

“Exigimos uma pacificação imediata. Se não houver essa pacificação, paralisamos a negociação e fica para a justiça resolver”, ressaltou o ministro. Uma nova comissão formada pelo assessor indígena do Ministério da Justiça, Flávio Chiarelli, o presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), João Pedro Gonçalves da Costa, representantes do governo federal e estadual, produtores rurais e lideranças indígenas vai definir quais são as regiões que terão prioridade no processo de demarcação. “Buscaremos uma solução para cada caso. O governo federal não descarta a possibilidade de indenizar os produtores rurais, no entanto, isso vai ocorrer dentro da lei e das condições orçamentárias do governo”, anunciou Cardozo.

Ministro garante investigação sobre morte indígena

O ministro José Eduardo Cardozo falou sobre a investigação da morte do índio Oziel Gabriel, morto no dia 30 de maio de 2013, no confronto entre indígenas e policiais durante reintegração de posse em Sidrolândia. “O inquérito policial ainda está em curso. A PF (Polícia Federal) continua trabalhando e a investigação corre em sigilo. Ainda não foi possível chegar a um autor”, disse o ministro.

Ele garantiu ainda que a morte recente de outro índio, Simeão Fernandes Vilhalva, 26, em área de conflito no município de Antônio João, será apurada o mais rápido possível pela PF, mas que não pode passar detalhes porque a investigação também está em sigilo. Segundo Elizeu Lopes do Movimento Indígena Ati-guassu, nunca houve condenação de uma pessoa pela morte de um índio durante conflito. “Foi Marçal de Souza, Nisio Gomes, Oziel Gabriel e agora Simeão. Eles morreram com honra, pela luta do nosso direito. Mas não existe justiça”, lamentou.