Segundo levantamento 2014-2015 do Civitox-MS (Centro Integrado de Vigilância Toxicológica), 746 pessoas foram intoxicadas por medicamentos o que equivale a aproximadamente 1 pessoa intoxicada por dia nestes últimos dois anos. O casos que se destacam são de crianças de 1 ano que aumentaram em cerca de 150%  com total de 249 registros e a faixa etária dos 20 aos 29 anos com 105.

“A intoxicação devido ao uso indevido de medicamentos e a automedicação está em segundo lugar nos motivos de internação em Mato Grosso do Sul, perdendo a primeira colocação para envenenamento por animais peçonhentos”, disse o vice-presidente do CRF-MS (Conselho Regional de Farmácia), Osnei Okumoto. A ação desta quinta (5) durante o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, além de conscientizar com a distribuição de folders, orientação, aferição de pressão e glicemia teve recolhimento de remédios vencidos com uma considerável quantidade. Uma empresa especializada descartará o que for recolhido adequadamente.

Para Osnei se automedicar é um problema cultural que só pode ser combatido com campanhas instrutivas com toda a regulação e fiscalização que já existe, mas quando a pessoa for orientada por profissionais ela deve seguir a risca e tomar toda a medicação. “Quando as pessoas estão sendo tratadas com antibióticos, assim que melhoram param de tomar a medicação - não pode - e ao invés de jogar fora adequadamente elas guardam os comprimidos  e acabam tomando em outra ocasião sem o devido efeito ou a intoxicação”, explicou.

Dados de 2014 do ICTQ (instituto de pós-graduação para farmacêuticos), apontam que 76,4% dos brasileiros praticam a automedicação, e destes, 32% aumentam a dosagem do remédio por conta própria, sem orientação do médico ou do farmacêutico. De acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados quase 60 mil casos de internações por automedicação no Brasil nos últimos cinco anos.

Se tiver casos de intoxicação ligue para o Civitox (67) 3386-8655 ou 0800 722 6001, que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Conheça interações perigosas entre remédios elaborada pelo CRF-MS:

Interações com antibiótico

As interações entre o remédio e outras substâncias geram dúvidas, por isso, o CRF-MS  esclarece que o leite reduz o efeito de antibióticos ampicilina e tetraciclina. Com o álcool, o remédio pode levar ao acúmulo de uma substância tóxica chamada antabuse que causa efeitos como vômitos, palpitação e dor de cabeça. É possível ter ainda hipotensão (pressão baixa), dificuldade respiratória e até morte. Antibióticos que podem causar esse efeito se misturados ao álcool: metronidazol; trimetoprim-sulfametoxazol, tinidazole e griseofulvin. Outros antibióticos como cetoconazol, nitrofurantoína, eritromicina, rifampicina e isoniazida também não devem ser tomados com álcool pelo perigo de inibição do efeito e potencialização de toxicidade hepática.

Anticoncepcional: O anticoncepcional interage com anti-inflamatórios e antibióticos diminuindo a eficácia da pílula. Se ingerido com vitamina C pode aumentar os níveis de hormônio na corrente sanguínea.

Ácido acetilsalicílico: O ácido acetilsalicílico interage como anticoagulantes, aumentando o risco de sangramento. Pode provocar hemorragias se misturado a analgésicos e alguns anti-inflamatórios. Se for ingerido com bebida alcoólica pode causar dano à mucosa gastrintestinal.

Anti-inflamatórios: Se tomado junto com álcool pode aumentar o risco de úlcera gástrica e sangramentos.

Paracetamol: Aumenta o risco de hepatite medicamentosa quando ingerido junto ao álcool.

Dipirona: Tomar dipirona e beber álcool é uma má ideia. O efeito do álcool pode ser potencializado.

Maracujá: Calmantes à base de maracujá podem potencializar o efeito de antidepressivos, causando sonolência excessiva.