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Empresário da noite na capital é conduzido para prestar depoimento à PF
A Polícia Federal realizou na manhã de hoje 35ª fase da Operação Lava Jato, intitulada Operação Omertà. Entre os envolvidos, está o empresário Thiago Cance, um dos donos da antiga boate Woods, alvo de um mandado de condução coercitiva.
Equipes da polícia cumprem 45 ordens judiciais, sendo 27 mandados de busca e apreensão, três mandados de prisão temporária e 15 mandados de condução coercitiva. Ainda não se tem a informação se Thiago já foi levado para prestar depoimento.
O Ministério Público Federal apontou no pedido de condução coercitiva que Thiago Cance seria um dos destinatários de recursos ilícitos entregues pelo setor de operações estruturadas da Odebrecht. Segundo o MPF, ele é filho de Aurélio Cance Junior, pessoa também envolvida em denúncias com a Sanasa.
O MPF argumentou no pedido que “especificamente em relação a Thiago Cance, verificou a que Cance teria recebido recursos de propina em um hotel que se hospedava só para isso. “Conforme já amplamente observado em outros casos de corrupção e lavagem de ativos, a realização de encontros e reuniões em hotéis é prática comum entre os envolvidos, utilizando o local como forma de inviabilizar a descoberta das tratativas e da entrega de recursos em espécie”, afirmou o pedido.
Para as autoridades, tanto Rovério Pagotto Junior quanto Thiago Nunes Cance possuem relação com a Sanasae que a Odebrecht, naquele ano, obteve contrato para execução de obra relativa à Sanasa e “é bastante provável que os recursos espúrios tenham relação com o contrato obtido pela Odebrecht”.
Investigação
Nesta fase da operação Lava Jato são investigados indícios de uma relação criminosa entre o ex-ministro da Casa Civil e da Fazenda, Antonio Palocci, com o comando da principal empreiteira do país. O investigado principal atuou diretamente como intermediário do grupo político do qual faz parte perante o Grupo Odebrecht.
Há indícios de que o ex-ministro atuou de forma direta a propiciar vantagens econômicas ao grupo empresarial nas mais diversas áreas de contratação com o Poder Público, tendo sido ele próprio e personagens de seu grupo político beneficiados com vultosos valores ilícitos.
Dentre as negociações identificadas foi possível delinear as tratativas entre o Grupo Odebrecht e o ex-ministro para a tentativa de aprovação do projeto de lei de conversão da MP 460/2009 (que resultaria em imensos benefícios fiscais), aumento da linha de crédito junto ao BNDES para país africano com a qual a empresa tinha relações comerciais, além de interferência no procedimento licitatório da PETROBRAS para aquisição de 21 navios sonda para exploração da camada pré sal.
Outro núcleo da investigação apura pagamentos efetuados pelo chamado “setor de operações estruturadas” do Grupo Odebrecht para diversos beneficiários que estão sendo alvo de medidas de busca e condução coercitiva.
São apuradas as práticas, dentre outros crimes, de corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Operação Omertà
O nome “Omertà” dado à investigação policial é uma referência à origem italiana do codinome que a construtora usava para fazer referência ao principal investigado da fase ("italiano"), bem como ao voto de silêncio que imperava no Grupo Odebrecht que, ao ser quebrado por integrantes do “setor de operações estruturadas” permitiu o aprofundamento das investigações. Além disso, remete a postura atual do comando da empresa que se mostra relutante em assumir e descrever os crimes praticados.
Nos casos dos investigados para os quais foram expedidos mandados de condução coercitiva, estes estão sendo levados às sedes da Polícia Federal nas respectivas cidades onde foram localizados a fim de prestarem os esclarecimentos necessários. Os investigados serão liberados após serem ouvidos no interesse da apuração em curso.
Quanto aos investigados com prisão cautelar decretada, tão logo sejam localizados eles serão trazidos à sede da Polícia Federal em Curitiba onde permanecerão à disposição das autoridades responsáveis pela investigação.