A violência sofrida por profissionais de saúde nas Unidades de Saúde de Campo Grande e estratégias para coibir as agressões físicas, psicológicas e verbais foram debatidas por autoridades, usuários e profissionais da área, durante Audiência Pública realizada na Câmara Municipal na manhã dessa quarta-feira (22).

O secretário municipal de segurança pública, Valério Azambuja destacou que o Poder Púbico precisa dar uma resposta e Câmara de Vereadores, por ser uma fiscalizadora do Executivo deve fazer seu trabalho também. Valério destacou ainda que a partir do dia 1º de abril as unidades de saúde terão  uma nova escala de guardas municipais.

“Hoje temos de 4 a 5 tipos de escala, são mais de 500 pontos para ser atendidos. Nas unidades 24 horas, que são pontos críticos, teremos dois guardas. Em cinco meses registramos  13 ocorrências, onde foram lavrados boletins junto à delegacia,sei que isso representa apenas 10% do que ocorre na realidade. Estamos reorganizando a guarda civil municipal, que sozinha não é a solução. Lamentamos a questão de saúde pública ser tratada como questão de segurança pública", disse.

O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Enfermagem da Prefeitura de Campo Grade Angelo Evaldo Macedo destacou a importância da audiência “para estabelecer de forma segura um protocolo que possa trazer segurança para que todo profissional de saúde possa exercer seu trabalho de uma forma segura, sem se sentir ameaçado, sem se sentir oprimido”. 

O proponente da Audiência, vereador Fritz apresentou dados alarmantes sobre a questão. "Hoje na saúde municipal temos registrado uma agressão física semanal, pelo menos uma agressão verbal diária no serviço de atendimento. 70% das agressões registradas oficialmente são de mulheres, há um número menor de homens agredidos", salientou.
Vítima de agressão física e verbal no dia 26 de fevereiro no UPA Universitário, o técnico em enfermagem, Alexsander Melo Alves relatou que  sofreu ferimentos nos ombros e braços e por isso está fazendo fisioterapia.” Estamos muito vulneráveis correndo risco de morte. Na unidade só tem um guarda municipal para atender um fluxo muito grande de pessoas. Por período são cerca de 200 pacientes", denunciou. 

Testemunhos de violência sofrida também foram dados pelo diretor do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul, Renato Figueiredo. "Já tive camisa rasgada durante um plantão. Hoje a violência na área de saúde é uma epidemia mundial, não acontece apenas nas unidades de saúde de Campo Grande. No Brasil é algo diferenciado, mas é subestimado. Há violência verbal, tumultos, profissionais trancados em banheiros, quando entra gangue e bandido lá dentro ", disse.

Conforme o secretário municipal de saúde, Marcelo Vilela “a estruturação das UPAs já está sendo licitada e serão qualificadas conforme o Ministério da Saúde exige. A partir de hoje a Sesau vai publicar o nome e o horário de todos os funcionários de plantão nas unidades de saúde. Urgência e emergência não é uma política de saúde pública, temos que estruturar a base, que é mal discutida. Isso é reflexo de uma crise nacional, da falta de dinheiro do governo, o governo federal não assume a saúde", disse.

A Audiência contou ainda com a presença dos vereadores Dr. Wilson Sami, Fritz, Enfermeira Cida Amaral, Valdir Gomes, André Salineiro, Pastor Jeremias Flores, Dharleng Campos, Chiquinho Telles a vice-presidente do Conselho Regional de Enfermagem, Cacilda Rocha Hildebrand, a presidente do SIOMS (Sindicato dos Odontologistas de Mato Grosso do Sul), Marta Brandão e do Delegado Rodrigo Vasconcelos Braga, coordenador das delegacias de pronto atendimento comunitário (Depac).