Mais de mil pessoas saíram as ruas nesta sexta-feira (28),na Caminhada pela Paz – Mulher Brasileira – Todos emPENHAdos Contra a Violência. A saída ocorreu às 16 horas, em frente ao Fórum de Campo Grande, na Rua da Paz, seguindo pela Dom Aquino até a 14 de Julho, com encerramento e concentração final no Centro Integrado de Justiça, situado na Rua 7 de Setembro.

O objetivo da caminhada é dar visibilidade para a causa da violência contra a mulher, fazer  com que as pessoas vejam que essa é uma realidade e não se pode tolerar.

A juíza Jacqueline Machado, titular da Vara de Medidas Protetivas na Capital e Coordenadora Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, no Brasil, foi a idealizadora da caminhada, além de outras ações que já estão sendo desenvolvidas este ano. Segundo a juíza, uma mulher morre a cada 90 minutos vítima de feminicídio, 52% das mulheres vítimas não fazem denúncia e sofrem caladas e MS é o quinto estado brasileiro em taxa de feminicídio, segundo pesquisa do Instituto Datafolha.

Ainda segundo a juíza, que atua na Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, apesar da rede de proteção, os casos continuam ocorrendo e eventos como este servem justamente para que as vítimas procurem ajuda. 

“Com a estrutura que nós temos na Casa da Mulher, em Campo Grande, fica mais fácil para a mulher buscar proteção. Mas não podemos dizer que os casos tenham diminuído, mas ao contrário, continuam ocorrendo, e cada dia mais graves e nós estamos com este trabalho, justamente para prevenção, dando visibilidade a esta causa, deixando a mensagem de que nós não toleramos mais qualquer forma de violência contra as mulheres”, disse Jacqueline Machado.

Segundo a delegada Ariane Murad, delegada titular da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM), o número de registros de ocorrências aumentou 16% em 2016 em relação a 2015. “Percebemos que aumentou muito os registros de ameaça e injúria, que é a violência psicológica, moral, mas diminuíram as de agressões físicas. Assim, concluímos que a mulher não está mais tolerando o menor sinal de violência, ao primeiro sinal ela já tem buscado a delegacia”, explica.

A delegada informou que foram registrados 7.200 boletins de ocorrência, no ano passado; ocorreram sete feminicídios consumados (mortes) e 20 tentativas. No ano de 2017 já foram registradas duas mortes.

O prefeito Marquinhos Trad participou da caminhada e exaltou a importância do envolvimento do poder público nessas questões. “Esse ato é mais um alerta à população, numa cidade que o índice de violência contra a mulher é muito alto. As leis do nosso país estão cada vez mais duras, rígidas, mas os índices aceleram numa crescente assustadora. Isso demonstra que é necessário mostrar a todos de uma sociedade organizada, a importância não apenas da mulher, mas de um ser humano, que merece respeito, dignidade, e acima de tudo muito amor”, finalizou.