Gustavo Passarelli, advogado do Governador Reinaldo Azambuja na questão da delação do JBS , falou sobre o processo, provocado pelo empresário Wesley Batista na delação premiada dos executivos da JBS. Segundo ele, o conjunto comprobatório apresentado pelo empresário é “fraco” e como o ônus da prova é de quem acusa, a situação do governador será facilmente esclarecida.

Passarelli explica de maneira didática que apesar da longevidade de um processo como este, onde o governador é investigado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e os produtores rurais citados na delação são investigados pela PF, as notas que foram apresentadas como supostamente “frias”, podem ser comprovadas por documentos complementares como GTA (guia de trânsito animal) e romaneio.

Além disso, o defensor afirma que informações contraditórias serão facilmente rebatidas. “Vem  de alguém que confessou vários crimes”, alerta ele sobre o empresário Wesley Batista. 

?De acordo com ele há um conjunto probatório que pode mudar tudo. ?"?É importante ressaltar que há dois elementos de prova que foram considerados na delação, uma tabela de excel, que é um documento unilateral com inúmeras fragilidades como notas fiscais de transações que supostamente seriam frias, mas que não foram verificadas. É um documento contábil que relata uma transição regular e que somente pode ser considerada fria se tiver uma prova.

Como o governador falou ," é uma defesa das pessoas que foram mencionadas, envolvidas nessa relação e há sem dúvida elementos inúmeros para que se comprovem a legalidade e regularidade que podem atestar que  elas não são frias", argumentou Passareli.. E cada um deve obviamente tomar os cuidados de fazer as comprovações necessárias nesse caso", alertou. Teremos a contra-nota, GTA, recibo de pagamento  do Fundersul. Ou seja, existem documentos  que , serão apresentados para comprovar a veracidade dessas transações" afirmou durante a entrevista, ressaltando ainda que nenhuma dessas operações apontadas como fraude, usou o nome do governador.

Para a defesa a apresentação futura desses documentos complementares é que dará consistência a afirmação que houve um exagero na delação. "Tenho por princípio o seguinte caminho: uma pessoa que faz uma delação, com esse nível de aprofundamento e com essas consequências gravíssimas que é o resultado que hoje experimentamos, tem que ter o mínimo cuidado com aquilo que diz", garante. 

"Ao dizer que as notas são frias, é muito importante que o delator tenha averiguado se efetivamente se esses documentos que são complementares não existem, porque ele tem uma responsabilidade muito grande. Então, esses produtores rurais, apresentando os documentos complementares, para demonstrar a regularidade dessas notas, da transação comercial, na minha opinião fica estampada, não só o excesso, mas a necessidade de responsabilização sobre o que foi falado", apontando para ações judiciais futuras. .
  
"Sem dúvida alguma que as informações e provas produzidas individualmente pelos produtores mencionados na delação, serão usados na defesa do governador, pois  corroboram o nosso argumento que não há ilegalidade alguma no ato praticado", disse Passarelli sobre a estratégia de defesa.
Questionado sobre uma possível coincidência das datas desses abates com a data de doações eleitorais e as datas citadas por Wesley, o advogado foi contundente. "Não. Não existem porque na verdade as doações feitas ao governador são todas do ano de 2014 obviamente que é de quando ele foi candidato, e essas notas são do ano seguinte". 

Segundo ele o governador recebeu via PSDB no ano de 2014 recursos do JBS e de inúmeras outras empresas que financiaram a campanha. "São doações que são feitas ao partido que destina ao candidato. Então de fato o governador recebe uma quantia de R$ 10 milhões de reais que estão declarada". 
Outro ponto questionado foi sobre uma possível troca de favores. Para isso, a defesa aponta as próprias tabelas apresentadas pelo delator. "É importante avaliar a tabela que foi apresentada pelo delator referente aos supostos pagamento de propina ela envolve 2014 e 2015, nessa linha existe uma incongruência irrespondível. Ora, se o delator afirma que pagou ao governador R$ 10 milhões em 2014 cujo as datas coincidem com a doação para receber benefícios de ICMS, ora, como justificar pagar uma quantia dessas a quem não é governador? Isso não fecha, nem para acordo futuro", destacou. 

"Não faz sentido, não tem possibilidade no liame de provas. Esse elemento mostra a fragilidade absoluta dessa delação. Nem suporte fático existe nem jurídico para sustentar essa delação", apontou. 
Na mesma esteira dos outros delatados, Passarelli cita os crimes praticados pelos irmãos Batista. "É importante trazer a reflexão algumas questões. Nós temos um delator que confessou a prática de vários crimes, que afirma que o próprio governador fazia as operações ilícitas.

Esse mesmo delator, chegou a gravar o presidente da República e esse mesmo delator não tem nenhum indício de prova do que o governador tenha cometido. É um pouco curioso até que esse delator que tenha sido tão cuidadoso na produção de provas, que tenha negociado com a pessoa que ocupa o posto mais alto do país, não tenha nenhuma prova disso. Me parece uma de uma leviandade inacreditável"
 
Sobre o conjunto de provas que está sendo construído, ele é enfático. "Não tenho dúvidas que as notas comprovadas vão ajudar. E sempre lembrando que o ônus da prova é de quem acusa e não de quem se defende. O governador tem plena consciência da sua inocência com relação a estes fatos e estamos na situação de uma simples fala de um delator que tem mais valia hoje do que a fala de uma pessoa que está sendo acusada sem qualquer tipo de documento", ressaltou apontando que na medida que houve a intimação do Governador para a abertura do inquérito, que os atos formais foram produzidos, aí apresentamos todos documentos.
 

"Eu poderia lhe dizer que estou muito confortável no ponto de vista jurídico, de afirmar que a documentação é absolutamente insuficiente para qualquer tipo de decreto condenatório", garantiu. Azambuja responderá o inquérito no STJ enquanto que os outros devem passar por inquérito na Polícia Federal. "Será um longo processo", finalizou.