Os cinco fazendeiros envolvidos no ataque a indígenas que resultou em uma morte em julho de 2016 na fazenda Yvu, em Caarapó, estão presos há mais de uma semana na penitenciária de Dourados, cidade a 225 km de Campo Grande. 

Após a revogação da liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), a justiça decretou o mandado de prisão preventiva dos ruralistas. Nelson Buanain Filho, Jesus Camacho, Virgílio Mettifogo, Dionei Guedin e Eduardo Yoshio Tomanaga se entregaram no dia 28 de setembro.

Justiça nega pedido de liberdade

Três dos cinco fazendeiros presos tiveram o pedido de liberdade provisória negado pela Justiça Federal de Dourados no dia 30 de setembro. 

Dionei Guedin, Eduardo Yoshio Tomonaga e Jesus Camacho alegaram que, no período em que permaneceram em liberdade, não prejudicaram o andamento processual ou a colheita de provas, nem colocaram em risco a ordem pública, a instrução penal ou a aplicação da lei penal.

O juiz federal Moisés Anderson Costa Rodrigues da Silva, manteve a prisão preventiva com base na gravidade dos fatos. 

“A prisão preventiva fundamenta-se na gravidade concreta da ação, dado o modus operandi adotado pelo grupo, que vitimou membros da comunidade indígena com armamento letal”, afirmou na decisão.

O pedido de habeas corpus dos fazendeiros Nelson Buainain Filho e Virgílio Mettifogo também foi negado, mas a defesa afirmou que vai recorrer da decisão.

STF

No dia 26 de setembro, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), a primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a prisão preventiva de cinco fazendeiros. Os ministros entenderam que não há ilegalidade nas prisões que justifique a atuação do STF e reverteu liminar que havia sido concedida em outubro de 2016.

Ataque

No dia 12 de junho de 2016, indígenas da etnia Guarani-Kaiowá ocuparam a Fazenda Yvu, em Caarapó (MS). No dia seguinte, agentes da Polícia Federal foram notificados por fazendeiros que os levaram até o local. 

No dia 14 de junho, os proprietários rurais e cerca de 200 fazendeiros, munidas de armas de fogo e rojões, se organizaram para expulsar os índios à força do local. De acordo com testemunhas, foram mais de 40 caminhonetes que cercaram os indígenas, com auxílio de uma pá carregadeira, e começaram a disparar em direção à comunidade. No ataque, oito ficaram feridos e Clodioude Aquileu Rodrigues morreu. 

Em agosto do ano passado os cinco fazendeiros foram presos e são acusados dos crimes de constituição de milícia privada, homicídio, lesão corporal e dano qualificado.

Matéria atualizada às 11h27