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Por dia, 4 PMs são afastados para tratamento psicológico após mortes
No 1º semestre deste ano, 741 policiais militares foram afastados de suas funções
Quatro policiais militares são afastados em média todos os dias por participarem de casos registrados como "morte decorrente de intervenção policial", o antigo auto de resistência.
Os PMs deixam temporariamente de exercer suas funções para "restabelecimento psicoemocional".
De acordo com os dados obtidos pelo via Lei de Acesso à Informação, no primeiro semestre deste ano, 741 policiais militares do Estado de São Paulo tiveram que ser afastados para passar pelo tratamento psicológico.
O número de janeiro a junho de 2019 é 15% maior do que o mesmo período do ano passado, quando 644 PMs foram retirados de suas funções após participarem de ocorrências que terminaram em mortes.
Conforme a Polícia Militar, os policiais entraram no Programa de Acompanhamento e Apoio ao Policial Militar que visa proteger o PM. Os militares afastados "foram avaliados quanto à aplicação de algum tipo de prescrição da atividade operacional".
São incluídos no programa apenas os policiais que participam de mortes durante o período de serviço. O ouvidor de polícia acredita que é importante os PMs saírem de suas funções para serem tratados.
No entanto, o problema é que policiais militares encaram o afastamento e tratamento psicológico como uma forma de punição pelo envolvimento em casos com vítimas letais, principalmente porque precisam mudar seus horários de trabalho — o que acaba inviabilizando os "bicos" (serviços não oficiais).
A Polícia Militar diz que "conta com o Sistema de Saúde Mental, que disponibiliza núcleos em todo Estado, com psicólogos e assistentes sociais".
O sistema consiste em "programas preventivos na área de saúde mental, palestras, atendimentos psicológicos individuais e em grupos".
Ainda conforme a polícia, o sistema conta com o Centro de Atenção Psicológica e Social(Caps) e 35 Núcleos de Atenção Psicossocial (Naps).
Os dados obtidos pela reportagem via Lei de Acesso à Informação também apontam que, no primeiro semestre deste ano, a Polícia Militar instaurou 300 inquéritos para apurar casos de mortes decorrentes de intervenção policial.
No mesmo período do ano passado, houve a instauração de 267 inquéritos para apurar esse tipo de ocorrência.