Geral
Moradores do bairro Concórdia relatam invasões de imóveis e insegurança
Segundo relatos, motivo do problema é alta concentração de usuários de drogas em terreno vazio
Moradores do bairro Concórdia reclamam de uma aglomeração de moradores de rua e usuários de drogas em um terreno logo atrás da Gury Marques, formado pelas Ruas Francisco Amaral Militão; Carlos Ferreira Viana Bandeira; Marques de Olinda e Manoel Garcia de Souza, atrás da Polícia Militar Rodoviária (PMR).
Segundo a esteticista, Graziela Castelheira de 45, que há 22 mora na região, a situação que é inédita no bairro vem acontecendo desde o início do ano. “A gente da vizinhança tem foto de usuário que pulou o muro de uma moradora e se cortou na concertina e sujou a casa todinha de sangue e a dona teve que acudir e levar para o UPA. A situação está extrema”, desabafou.
Graziela afirma que os usuários se concentram no terreno em frente a uma oficina, onde o proprietário fornece alimento e água, e segundo ela, é um dos fatores que mantém a população de rua próxima ao bairro, além do surgimento de uma nova boca fumo no bairro em frente, Alves Pereira. “A última rua desse bairro virou uma boca de fumo do início ao fim, então eles vem aqui, comem, dormem e roubam a gente e vão la comprar, e aqui eles estão tendo abrigo e alimentação então é cômodo pra eles”, disse a esteticista. “Eles evitam quem tem câmeras de segurança, mas casa com concertina e cerca elétrica eles estão entrando”.
Furto
Uma outra moradora, Laura de Oliveira que mora no Vila Concórdia há um mês também já foi vítima da criminalidade. “Eles ficam aqui no terreno baldio, onde ficam algumas carcaças de chassi de uma oficina que fica em frente, e serve de abrigo e moradia para os moradores de rua”. A dona de casa que mora a 500 metros do terreno, teve a casa invadida no pouco tempo que mora na região.
“Tive a casa invadida nesta semana, levaram TV, vídeo-game, e teve o estrago da porta e do portão, não fizemos imagens, porque não tem câmeras, mas eles entram nas casas, realmente o problema é com eles, pois vigiam as residências e param as pessoas na rua para ficar pedindo comida ou favores”, relatou que a situação é aterrorizante, “a gente sai de casa sabendo que pode voltar e encontrar tudo arrombado”, finalizou.
Invasão
A dona da casa invadida, a professora Olga Pires da Silva, conta que estava em casa com o marido na madrugada do último dia 6 de abril, quando um meliante fugiu de uma UPA onde estava sendo atendido e pulou o muro que tem cerca de concertina. “Acordamos com ele quebrando o vidro da porta da cozinha, conseguiu abrir a porta adentrou a residência, muito machucado e sangrando muito. A casa ficou toda suja de sangue, parede e tapetes, e o invasor parecia que estava tendo alucinações, sempre dizia que tinha alguém atrás dele e que ia matar todos nós”, relatou.
Quando Olga abriu a porta pedindo para que o indivíduo saísse, ele teria pegado um vaso para arremessar contra ela. “Quando disse que não tinha ninguém atrás dele, ele resistiu um pouco, mas depois de várias tentativas consegui fazer com que ele saísse. Depois que ele saiu consegui chamar a polícia que chegou após 30 minutos. Tentei fazer B.O na Polícia Civil, porém sem sucesso, pois no registro online só faz houver vítima. Não entendi isso não seria uma maneira de evitar casos com vítima. Mass fazer o que?”, declarou a professora que não ve uma saída pra situação, depois o caso foi passado a Polícia Militar.
Em um outro lado da história, o dono do Chassi e Cia, que fica na frente do terreno onde os usários se abrigam, Evandro Farinelli, ajuda as pessoas que sabe que passam por necessidades. “Não os ajudo para proteger meu patrimônio, pois tenho, alarmes, câmeras e sistema de monitoramento. E outra eu não queria estar no estar lugar deles, porque muitas pessoas pregam amor e não fazem nada, se eu vejo morador de rua ou usuário que eu possa ajudar se for na frente da minha oficina eu sempre vou ajudar”, afirmou.
Mesmo assim, Evandro não se livra de eventualmente perceber que uma ou outra coisa sumiu da oficina. “Sempre está sumindo coisas aqui, e tenho que estar cuidando. Mas se eu tenho fartura na minha casa, não vou negar prato de comida ou água, pra quem pedir, e eles ficam no pátio da prefeitura que fica na frente da oficina, não tenho culpa se eles param as pessoas na rua pedindo”.
De acordo com Evandro, ele já oficializou um pedido para a Prefeitura ceder metado do terreno para que ele possa cuidar. “A prefeitura não aceitou, eles devem cuidar do terreno, as carrocerias que ficam lá são de clientes que deixam e prometem buscar, mas não buscam, não é meu’, se defende o empresário.
Em contato com a Polícia Militar, foi informado ao JD1 Notícias que o Batalhão responsável pelo policiamento da região tem reforçado ações preventivas na localidade, inclusive contando com o reforço de novos sargentos no efetivo. “Salientamos que o Comandante da área está em contato direto com a comunidade local, visando implantar solução para o problema”.
O JD1 Notícias entrou em contato com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur), mas até o momento não recebeu resposta sobre a situação do terreno e se há planos de construção ou limpeza do local.