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Cachorro é atropelado e morre por falta de assistência de universidade da Capital
Após atropelar cachorro, motorista foge e acadêmicos buscam por imagens das câmeras de segurança de universidade
O ocorrido com o cachorro chamado de ‘Hércules’ pelos acadêmicos da Universidade Católica Dom Bosco, deixou muita gente revoltada com a própria universidade, na última quinta-feira (31). Segundo informações, o cachorro teria sido atropelado no campus da UCDB, e ao ser levado por um acadêmico de Direito, até ao Hovet (Hospital Veterinário UCDB), teve prestação de socorro negado ao animal.
O acadêmico Matheus Miranda, que foi quem socorreu Hércules, estava chegando na universidade quando ouviu um grito. Assustado, procurou olhar o que estava acontecendo e viu um cachorrinho agonizando de dor. Ao perguntar para um dos colaboradores da instituição, não sabiam ao certo o que havia ocorrido, apenas que o animal estava ali a algum tempo, praticamente morrendo.
Indignado com a situação, Matheus foi em busca de informações sobre o que teria acontecido e se já haviam solicitado socorro. “Não assisti a aula nesse dia, minha prioridade era prestar socorro ao animal que estava ali se contorcendo de dor, e ninguém sendo capaz de fazer nada por ele”, contou.
“Um casal que passou por mim ofereceu ajuda, ligou para uma médica veterinária que conheciam, e ela pediu para levar o animal até a clínica dela, mas diante aos gritos do Hércules, não daria tempo, ele precisava ser socorrido ali, e por alguém que fosse da área”, disse ele ao contar que estava receoso de manusear o animal e piorar o estado em que ele estava.
Foi quando o jovem mandou mensagem para um grupo no WhatsApp, buscando por ajuda de algum veterinário. “Na segunda tentativa de ajuda, me passaram o contato de uma acadêmica de medicina veterinária, mas ela me disse que poderia marcar raio-x e outros procedimentos apenas para o dia seguinte. O caso do Hércules era urgente, eu tinha a certeza de que ele não iria aguentar até lá, e eu também não poderia o deixar ali, naquela situação e com aquela dor”, ressaltou.
Após as falhas tentativas de ajuda, Matheus procurou pela Clínica Escola da universidade, onde não foi bem recebido e orientado. Segundo o estudante, o segurança que o abordou ao chegar na clínica, disse não ter plantonistas no local, e ninguém para ajudá-lo.
“Me senti desamparado, em um lugar onde era um ambiente para prestar serviços aos animais. Mas eu não tinha muito tempo, quanto mais eu demorava nas falhas tentativas de socorro, o cachorrinho babava e gritava ainda mais de dor”, comentou.
Após tentar contato com algumas ong's de animais da Capital e receber a informação de que estariam com lotação máxima, desesperado com a situação, Matheus pediu ajuda para um grupo de estudantes de psicologia e educação física que estavam passando pelo local.
“Enrolamos Hércules com um pano que eu tinha no carro e ele já estava tremendo muito e ficando gelado. Quando o colocamos no carro, ele passou a gritar mais alto e a vomitar devido a dor”, explicou.
Matheus levou o animal, com a ajuda de outra acadêmica, até a Clinica Veterinaria Bourgelat, localizada na Avenida Mato Grosso, onde costuma levar seus animais de estimação. Os plantonistas que estavam no local começaram imediatamente a medicar o cachorro com analgésicos. “Assim que chegamos autorizei a ultrassom e pedi ajuda financeira em alguns grupos, para quem pudesse nos ajudar”, contou.
A ultrassom que teria duração de uma hora, foi interrompida, devido Hércules não ter aguentado durante o processo. “Quando cheguei em casa recebi e ligação da clínica, dizendo que ele não resistiu. Infelizmente ele já estava muito mal, com os órgãos deslocados por dentro. Foi algo muito triste, uma situação bem traumática”, finalizou o acadêmico.
Denúncias
Uma acadêmica da universidade, que preferiu não ser identificada, procurou ao JD1 Notícias para expor a revolta de muitos quanto a situação recorrente na instituição. Indignada, a acadêmica de direito diz que “mesmo sendo Católica e pregando ser ‘filantropica’”, os estudantes sabem que não é desta forma que lidam com situações parecidas ao da última quinta-feira.
“há muita negligência e omissão acontecendo, ficando apenas por lá, sem ser exposto na mídia. Ha anos, estou na UCDB e sempre vimos animais que ficam por lá, como cachorros e gatinhos, e a universidade nunca se disponibilizou a nada, nenhuma ação social ou algo do tipo. Nós alunos que colocamos ração, água e ajudamos como podemos”, ressaltou a estudante, dizendo não ser a primeira vez que a instituição se recusou a prestar atendimento aos animais que ali precisavam.
Após o último ocorrido, a acadêmica disse estar tentando expor a situação, bem como junto ao DACLOBE (diretório acadêmico), para preparar uma ação social para os animais que convivem no campus diariamente.
O Instituto Guarda Animal compartilhou nas redes sociais uma nota de repúdio referente ao caso do Hércules.
Nota de esclarecimento
Com tantas reclamações e notas de repúdio circulando na internet, a Universidade Católica Dom Bosco publicou, na manhã desta sexta-feira (1º) uma nota de esclarecimento sobre o caso. Confira a nota:
"A UCDB vem por meio deste comunicado prestar esclarecimentos sobre o caso ocorrido na data de ontem (31/03], envolvendo nossa Clínica Veterinária -Escola. Uma pessoa foi até a Clínica por volta das 16 horas, informar que um animal estava com ferimentos no campus da universidade. Nossa atendente informou que não fazemos resgate de animais, mas que o atendimento seria realizado caso o animal fosse levado até as dependências da Clínica Veterinária - Escola e que o mesmo precisaria de um tutor responsável para acompanha-lo no processo. Após esse contato, em nossos canais oficiais e na recepção, não fomos mais acionados."