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Moradores e comerciantes cobram fiscalização noturna na Rua 14 de Julho
Barulho, aglomeração e vendedores ambulantes são as principais queixas dos denunciantes
Apesar de ter se consolidado como novo ponto de encontro noturno de Campo Grande, a programação da Rua 14 de Julho, tem gerado incômodo para moradores e comerciantes da região. Barulho, aglomeração, vendedores ambulantes e falta de fiscalização são algumas das principais queixas relatadas por quem vive ou trabalha no entorno.
Um morador que vive a cerca de 30 metros dos bares instalados na via relata que, inicialmente, o barulho era insuportável. Segundo ele, no começo os bares não obedeciam o horário estipulado para funcionamento e o som alto perturbava moradores ao redor.
A situação só começou a mudar após mobilização da comunidade. “Fizemos várias reuniões e ficou organizado, agora os bares respeitam questão do som dentro do horário permitido e altura”, contou.
No entanto, o que parecia resolvido deu lugar a outro tipo de transtorno: a ocupação irregular das calçadas por ambulantes que atuam após o fechamento dos bares. O mesmo morador critica a atuação desses vendedores, que, segundo ele, fogem completamente das regras que os bares passaram a seguir.
“Os bares funcionam dentro de uma regulamentação, documentados e organizados. Já os ambulantes passam a ser um concorrente desleal, não pagam imposto, não são fiscalizados, montam seu negócio na frente de quem está regulamentado, vendem bebidas também para menores e atraem um público que vem só para baderna”, relatou.
Segundo ele, a bagunça começa quando os bares fecham e os ambulantes permanecem não respeitando os horários estipulados para o funcionamento.
Outro ponto citado é a atitude de frequentadores que desrespeitam o espaço público, de acordo com o morador, são recorrentes as cenas de pessoas urinando em portas dos estabelecimentos comerciais fechados e de carros estacionados em lugares proibidos. Ele afirma que os ambulantes, além de não seguirem as regras, são responsáveis por boa parte dessas situações.
Apesar das críticas, o mesmo morador reconhece que há avanços e pontos positivos com o movimento noturno na região. “O centro da capital passou a ter vida noturna. Se melhor fiscalizado e com um bom trabalho de políticas públicas, pode tornar-se ponto turístico”, opina. Ele também ressalta que o policiamento tem melhorado: “O efetivo da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal aumentou, melhorando a segurança na região”.
Do lado dos comerciantes, o sentimento é parecido. Um empresário que abriu um bar recentemente na Rua 14 também defende que os ambulantes são o maior problema hoje. “A Polícia Militar faz um trabalho excelente aqui. Não temos problemas dentro do bar, apenas nas ruas por causa dos ambulantes”, afirma.
O comércio no local abre às segundas, quintas, sextas, sábado e domingo, o comerciante ainda destaca a ausência do poder público durante os dias de funcionamento. “Tem muita coisa errada, tem comerciante que pega energia pública e ninguém faz nada, falta fiscalização da prefeitura. A GCM precisa monitorar essa região”, reclama.
Segundo ele, o espaço é reconhecido como um corredor gastronômico e cultural e, por isso, deveria ser tratado com mais atenção. “Os ambulantes precisam ser fiscalizados, eles lotam as calçadas, aglomeram, gera até poluição visual, aqui é um corredor gastronômico e cultural, não podendo ter ambulantes na rua, e diante disso a prefeitura não faz nada e os ambulantes fazem o que querem”, conclui.
O cenário retratado por moradores e comerciantes mostra que, embora a Rua 14 de Julho tenha ganhado vida com a retomada da circulação noturna, a ausência de uma fiscalização efetiva e equilibrada segue sendo um ponto crítico para a convivência entre lazer, comércio e moradia.
Em nota, a prefeitura de Campo Grande esclareceu que a Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social (Sesdes) tem mantido programação de rondas na região central de Campo Grande diariamente.
Mas que, diante das denúncias, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) intensificará as rondas no centro da cidade nos próximos dias, visando maior presença e fiscalização na área.
A Sesdes também ressaltou que a segurança pública em Campo Grande é feita em parceria com as forças de segurança do Governo do Estado e do Governo Federal, conforme determina a Constituição Federal. Segundo a secretaria, o papel principal da GCM é realizar rondas em prédios públicos e oferecer apoio às forças ostensivas, como a Polícia Militar.