Proteção
Ministério Público apura atuação dos Conselhos Tutelares em Dourados
Apuração da 17ª Promotoria busca avaliar a estrutura, o funcionamento e a efetividade das ações
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) está fiscalizando de forma sistemática a atuação dos Conselhos Tutelares de Dourados. A medida tem como objetivo reforçar a fiscalização da rede de proteção à criança e ao adolescente no município e verificar a regularidade dos atendimentos prestados, além da efetividade das medidas adotadas em casos de violação de direitos.
Segundo informações da 17ª Promotoria de Justiça, o procedimento foi instaurado após o recebimento de denúncias e manifestações encaminhadas à Ouvidoria do MPMS, bem como em razão de diligências realizadas previamente pela própria Promotoria. Entre os pontos que motivaram a abertura da apuração estão relatos de possíveis falhas no atendimento, dificuldades de contato com conselheiros em regime de plantão e a insatisfação da população com a atuação dos órgãos.
De acordo com o MPMS, há indícios de que alguns atendimentos não tenham sido conduzidos de forma adequada, o que pode comprometer a proteção integral de crianças e adolescentes. Em um dos casos citados nos autos, houve dificuldade para acionar o Conselho Tutelar em uma situação de urgência envolvendo suspeita de violência contra menor, circunstância que exigiu a intervenção direta do Ministério Público para viabilizar o atendimento.
O procedimento tem como objetivo reunir informações detalhadas sobre a estrutura de funcionamento dos Conselhos Tutelares, as condições de trabalho dos conselheiros e a eficiência das medidas aplicadas. A análise também busca identificar eventuais falhas operacionais, lacunas na rede de atendimento e a necessidade de ajustes na prestação do serviço público.
Outro ponto central do acompanhamento é a integração entre o Conselho Tutelar e demais políticas públicas, como saúde, assistência social, educação e sistema de justiça. Para o MPMS, a atuação articulada desses setores é essencial para garantir respostas rápidas e eficazes em situações que envolvem crianças e adolescentes em condição de vulnerabilidade.
A atuação ministerial também destaca o cumprimento das normas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que estabelece a responsabilidade do poder público, da família e da sociedade na proteção integral desse público. O Conselho Tutelar, nesse contexto, exerce papel estratégico como porta de entrada para o atendimento de denúncias e encaminhamento de medidas de proteção.
Além da apuração, o MPMS ressalta que o procedimento abre espaço para diálogo institucional, com possibilidade de realização de reuniões, requisição de informações e adoção de medidas administrativas. Dependendo dos resultados obtidos, não está descartada a adoção de providências judiciais para corrigir eventuais irregularidades.
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