Internacional
Crise no Paraguai: cai cúpula que negociou acordo de pontes com o Brasil
Acordo bilateral com o governo brasileiro motivou queda de quatro paraguaios
O presidente paraguaio Mario Abdo Benítez, aceitou nesta segunda-feira (29), as renúncias de quatro membros de seu governo após polêmica sobre o acordo bilateral entre o Brasil e o Paraguai, sobre o cronograma de compra de energia de Itaipu até 2022.
Os membros que pediram renúncia foram o embaixador do Paraguai no Brasil, Hugo Saguier, o ministro de Relações Exteriores, Luis Alberto Castiglioni, o presidente da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) Alcides Jiménez e o titular paraguaio da hisdrelétrica binacional de Itaipu, José Roberto Alderete.
Assinado em maio deste ano, o acordo gerou polêmica no país vizinho. A usina de Itaipu possui dois tipos de energia: a garantida (mais cara) e a adicional (mais barata). Desde 2007, o Paraguai conseguiu se beneficiar, com prioridade, do uso de energia adicional em maior quantidade, em troca da instalação de duas turbinas binacionais que o Brasil precisava. Com o acordo assinado recentemente, o Paraguai renuncia o benefício e concorda em usar a garantida, mais cara, em igual proporção. De acordo com o site ABC Color, o acordo gerará uma diferença de US$ 350 milhões para a ANDE.
A negociação da ata bilateral começou quando o governo do presidente Jair Bolsonaro solicitou uma reunião por “divergências no contrato” que deveria ser assinado entre o Brasil e o Paraguai sobre a contratação de potencia energética.
O fato gerou revolta na população que acredita em aumento da energia oriundo do acordo, descartado por Alcides Jiménez. Outro fato que revoltou os paraguaios foi que a ata foi assinada sem consulta a opinião pública. Para o empresário paraguaio Fernando Foutalon, a situação com o presidente Mario Adbo é lamentável e não se concentra apenas no acordo firmado bilateral. “Quem sai prejudicado é o Paraguai, todos os investidores que vieram atraídos pelas baixas taxas de impostos estão deixando o país, por causa da nova política estabelecida aqui”, disse, citando as novas cobranças para investir no país. “A energia era 60% mais baratas que no Brasil e com essa nova medida a qualidade cai e a energia fica mais cara”, afirmou. Ainda segundo o empresário, o governo paraguaio enfrenta manifestações diárias contra as medidas anunciadas.
Do lado brasileiro da usina de Itaipu, há o temor que a construção de novas duas pontes, uma delas em Porto Murtinho, e que ligariam Brasil e Paraguai, possam ter seus cronogramas e acordos revistos.