Um novo grupo de presos políticos foi libertado na Venezuela entre sexta-feira (25) e sábado (26), após o encerramento da segunda rodada de diálogo entre o governo interino de Delcy Rodríguez e setores da oposição, em negociações apoiadas pelos Estados Unidos.

A organização de direitos humanos Justiça, Encontro e Perdão informou ter confirmado diretamente a libertação de 39 pessoas em diferentes centros de detenção do país. Entre os libertados estão cerca de oito mulheres que haviam sido presas em 2021 sob acusações relacionadas a “narcoterrorismo”.

O número de libertações foi inicialmente informado de forma divergente por organizações que acompanham os casos. O Foro Penal havia confirmado mais de 20 detenções liberadas durante a madrugada, enquanto outras entidades também contabilizaram diferentes grupos. Posteriormente, a Justiça, Encontro e Perdão confirmou 39 casos.

A segunda rodada de negociações entre o governo interino e a oposição terminou na sexta-feira. As conversas ocorrem com respaldo de Washington e fazem parte das discussões políticas abertas após a captura e retirada de Nicolás Maduro do poder em uma operação militar dos Estados Unidos, em janeiro.

Segundo o Foro Penal, havia 344 presos políticos contabilizados na Venezuela até 18 de setembro. Familiares e organizações de direitos humanos vêm pressionando pela libertação de todos os detidos por motivos políticos.

A oposição comemorou as novas libertações, mas afirmou que o processo ainda não contempla todos os presos políticos. Dinorah Figuera, que lidera a delegação opositora nas negociações, defendeu a continuidade das libertações.

“Que sejam libertados todos os que hoje estão atrás das grades por pensar diferente”, afirmou Figuera neste sábado (26).

As novas solturas ocorrem após uma série de medidas adotadas pelo governo interino. Em agosto, outras 131 pessoas haviam sido libertadas, segundo anúncio das autoridades venezuelanas, em uma etapa anterior das negociações.

Organizações de direitos humanos afirmam que ainda existem centenas de pessoas detidas por motivos políticos no país e defendem que a libertação dos presos continue sendo discutida nas negociações entre governo e oposição.