Justiça
Mulher é indenizada em R$ 1 milhão após passar 29 anos em situação de escravidão
A mulher começou a trabalhar aos 7 anos de idade, e era proibida de sair da residência
Uma mulher de 42 anos terá o direito de receber uma indenização de R$ 1 milhão após ter vivido, desde os 7 anos de idade, em situação análoga à escravidão, em São Paulo. A decisão foi do Tribunal Superior do Trabalho (TRT), que por unanimidade decidiu manter a condenação da ex-professora e suas duas filhas, que terão que arcar com a indenização.
A trabalhadora alegou no processo que foi levada de Curitiba para a casa de sua patroa, em São Paulo, sob a promessa de ser integrada a família e de ter um futuro promissor, no ano de 1987.
No entanto, ao chegar à casa de sua patroa, ela foi obrigada a fazer faxina, lavar roupas, preparar refeições, cuidar dos animais de estimação, ser babá das filhas e, anos depois, cuidadora do casal, trocando fralda geriátrica, roupas de cama e até mesmo ministrando medicação, além de não ter quarto próprio, dormindo no chão no banheiro dos fundos da residência.
Somente aos 18 anos que ela teve sua carteira de trabalho assinada, recebendo um salário mínimo, mas que tinha descontos diretos pelos produtos que ela usava na casa e nas multas por não comparecer às seções eleitorais.
O juízo da 88ª Vara do Trabalho de São Paulo havia condenado a mulher e suas filhas a pagar R$ 150 mil por danos morais, entendendo que não houve adoção, mas o TRT decidiu elevar a condenação à RS 1 milhão, que deverá ser pago em 254 parcelas, com direito a correção monetária.