Dácio Queiroz Silva, de 65 anos, produtor rural e proprietário legal da Fazenda Fronteira, localizada no município de Antônio João, tem enfrentado um longo embate nos últimos 25 anos em função de conflitos territoriais com indígenas em Mato Grosso do Sul.

Há duas décadas e meia (25 anos), Queiroz se vê envolvido em disputas judiciais intermináveis, tendo que arcar com despesas advocatícias enquanto sua propriedade está ocupada pelos indígenas, que reivindicam a área sob a alegação de 'retomada'. São pelo menos 2.500 indígenas ocupando a terra.

O atual cenário impediu que o produtor realizasse atividades produtivas em sua fazenda, interrompendo completamente suas operações. "Eu não tenho segurança para plantar ou fazer qualquer outra atividade", desabafa Dácio, que inclusive foi prefeito por dois mandatos em Antônio João.

Apesar de seu desejo de encerrar o conflito, o produtor alega nunca ter recebido uma oferta de indenização por parte do Governo Federal ou qualquer proposta para resolver a questão. "Eu faço juízo sobre o bem-estar social da comunidade indígena prevalecer sobre a minha vontade de produção, desde que seja observado o direito à indenização", enfatiza.

Desde 1998, as demandas judiciais se arrastam, tornando o ambiente ainda mais instável e inseguro para Queiroz e demais fazendeiros na região, que também se sentem acuados com a situação de conflito. 

Dácio relata que os indígenas estão exigindo que ele pague renda sobre os ganhos da produção, embora a situação de conflito impeça qualquer atividade produtiva na área. "Eu preciso plantar, mas não consigo, por falta de segurança", reforça.

A fazenda, outrora produtiva, agora é um campo de disputa onde “eles [indígenas] fazem o que querem”, diz Dácio. 

Para buscar uma solução, Dácio propõe um acordo claro e justo que contemple a indenização adequada para ambas as partes, permitindo que tanto ele quanto os indígenas possam seguir suas vidas. Ele clama por atenção das autoridades competentes.

O JD1 Notícias buscou posicionamentos da Advocacia-Geral da União (AGU), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Ministério Público Federal (MPF), porém, até a publicação desta matéria, não obteve retorno. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos.