Caso Sophia
Pais de Sophia se pronunciam após ataques por indenização de R$ 500 mil
Os dois afirmam que a reparação financeira não representa lucro e defendem responsabilização pelas falhas na proteção da criança
Jean Carlos Ocampo da Rosa e Igor de Andrade Silva Trindade, pai biológico e pai afetivo de Sophia de Jesus Ocampo, divulgaram uma nota de repúdio após passarem a ser alvo de ataques e comentários da opinião pública em razão da indenização que receberão após decisão da Justiça.
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) reconheceu o dever de indenizar do Governo do Estado e da Prefeitura de Campo Grande, em ação movida por Jean Carlos e Igor, por atendimentos falhos à criança, vítima de violência do padrasto, bem como pela omissão da mãe, circunstâncias que ensejaram na morte de Sophia.
A indenização por danos morais ficou em R$ 400 mil em favor de Jean Carlos Ocampo da Rosa e para R$ 100 mil em favor de Igor de Andrade Silva Trindade, valores que serão corrigidos pela taxa Selic.
Na nota, afirmam que é "desumano, cruel e desprezível" transformar a dor pela perda da filha em acusações de que estariam "lucrando" com sua morte. Dizem que não buscam lucro, mas justiça, e ressaltam que o Estado e o Município foram condenados por omissão.
Também afirmam que pediram socorro, procuraram ajuda, insistiram e alertaram sobre a situação, mas que, enquanto os pedidos eram ignorados, Sophia perdeu a vida.
Ainda na manifestação, destacam que nenhuma indenização é capaz de devolver a filha ou apagar o trauma, a saudade e a culpa que carregam. Também afirmam que a indignação deveria estar voltada ao fato de uma criança ter sido deixada sem a proteção necessária.
Jean Carlos e Igor também repudiam ataques à paternidade de ambos e dizem que não aceitam ser julgados por serem dois pais. Segundo eles, Sophia foi amada, cuidada e continua sendo motivo da luta dos dois por justiça.
Ao final, afirmam que não querem dinheiro, mas justiça, responsabilização e melhorias na rede de proteção para que nenhuma outra criança precise morrer diante de falhas e omissões do poder público. A nota termina com um apelo para que a população cobre "de quem tem o dever de proteger" e não "de quem já perdeu tudo".
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