A ré Márcia Silva Evaristo, de 50 anos, foi absolvida da acusação de matar Gisele Leal da Silva Oliveira com um golpe de faca, em 25 de junho de 2024, durante a madrugada, na casa do namorado de Márcia, na Rua São Marcos, no bairro Guanandi, em Campo Grande. O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (10), na 1ª Vara do Tribunal do Júri.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) pediu aos jurados a condenação da ré. A defesa, por sua vez, alegou a absolvição por legítima defesa, o reconhecimento de excesso culposo na legítima defesa e, em caso de condenação, o afastamento da qualificadora.

Ao analisar os argumentos, os jurados entenderam, conforme os termos de quesitação, que a acusada deveria ser absolvida quanto ao crime de homicídio doloso qualificado.

Assim, o juiz presidente da sessão, Yuri Petroni de Senzi Barreira, sentenciou pela improcedência da acusação ministerial.

Agora, cabe ao Ministério Público, se for o caso, recorrer quanto às questões de direito.

Motivação do crime

Segundo dados processuais, Gisele Leal foi lesionada enquanto estava na casa de um homem que seria amásio de Márcia Silva Evaristo e onde Márcia sempre dormia.

Em interrogatório judicial, Márcia afirmou que era namorada do homem e sempre dormia na casa dele. Segundo ela, no dia dos fatos, os dois estavam bebendo e assistindo a um jogo, ocasião em que resolveu ir embora, pois trabalharia cedo no dia seguinte.

Márcia afirmou que o namorado saiu para comprar mais cerveja e que ela foi somente até a esquina, retornando depois para a casa dele. Disse que ele pensou que ela havia ido embora.

Ela relatou que ficou esperando por ele na varanda, pois a porta estava trancada. Segundo Márcia, Gisele chegou primeiro ao local, o que a surpreendeu.

Márcia afirmou que perguntou o que Gisele estava fazendo ali e mandou que ela fosse embora, mas a vítima se negou. Então, passou a empurrá-la para fora do imóvel.

Na sequência, quando ia fechar o portão da residência, Márcia afirmou que Gisele lhe deu duas pauladas, puxou seu cabelo e a jogou no chão.

A acusada alegou que a faca caiu da cintura da ofendida e afirmou não se recordar do momento dos golpes. Disse que não tinha intenção de matá-la.

Márcia também declarou não se lembrar onde deixou a faca e afirmou que usou a faca no calor do momento.

Ao responder às perguntas do MP, afirmou que, quando prestou interrogatório na polícia, estava muito transtornada e, por esse motivo, não mencionou que a faca havia caído do bolso da vítima.

Márcia alegou que não praticou o crime por ciúmes ou por sentimento de posse em relação ao namorado.

Ela esclareceu que usou a faca para se defender, para que a vítima parasse de puxar seus cabelos. Disse que, no momento dos fatos, temia por sua vida.

Por fim, afirmou que pensou que havia somente ferido a ofendida e que se arrepende dos fatos.

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