O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) instituiu a Medalha Desembargadora Marilza Lúcia Fortes, destinada a reconhecer personalidades que atuam no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. A criação da honraria consta na Resolução nº 410, de 2 de setembro de 2026.

Ao instituir a medalha, o TJMS destaca a importância de reconhecer publicamente pessoas que contribuem, de forma efetiva e continuada, para a proteção, o acolhimento e a promoção dos direitos de mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

O Tribunal também aponta que o fortalecimento da rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher demanda a valorização de iniciativas institucionais, interinstitucionais e sociais voltadas à prevenção, à responsabilização dos agressores e ao atendimento humanizado das vítimas.

A resolução considera ainda a conveniência de instituir uma honraria específica para preservar a memória e destacar trajetórias comprometidas com a defesa da dignidade da mulher e com o enfrentamento à violência doméstica e familiar.

A medalha poderá ser concedida a pessoas de diferentes áreas de atuação, como magistratura, Ministério Público, Defensoria Pública, órgãos de segurança pública, serviços de assistência social e psicologia e organizações da sociedade civil. A homenagem não ficará restrita ao âmbito do Poder Judiciário.

Pela resolução, poderão ser agraciadas pessoas que preencham cumulativamente três requisitos: atuação direta ou indireta no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher em Mato Grosso do Sul; contribuição destacada, relevante e continuada à proteção e ao apoio das mulheres em situação de violência; e conduta ética e idoneidade reconhecida no respectivo meio de atuação.

A concessão deverá observar os princípios da impessoalidade e da motivação, com registro, no respectivo expediente, das razões da escolha de cada pessoa agraciada.

A Medalha Desembargadora Marilza Lúcia Fortes será concedida a até 10 pessoas por edição, com periodicidade anual. A outorga ocorrerá, preferencialmente, na primeira semana de dezembro de cada ano.

Seleção

O levantamento dos nomes das candidatas e candidatos ficará sob responsabilidade da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar. A resolução também permite o recebimento de indicações de instituições e entidades parceiras.

A seleção das pessoas agraciadas caberá à desembargadora coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar.

A medalha será confeccionada em metal dourado, em formato circular, com 60 milímetros de diâmetro. No anverso, terá a inscrição com o nome da honraria e, no reverso, o brasão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, além da fita de sustentação.

Quem foi Marilza Lúcia Fortes

Dra Marilza Lúcia Fortes | Foto: Associação dos Magistrados das Justiças Militares Estaduais

Marilza Lúcia Fortes morreu em 20 de setembro de 2012. Em levantamento da reportagem sobre a trajetória da desembargadora, informações da Associação dos Magistrados de Mato Grosso do Sul (Amamsul) a apresentam como “exemplo de luta”.

Terceira mulher a alcançar o cargo de desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), Marilza ingressou na magistratura em setembro de 1980 e, em março de 2006, passou a ocupar um assento no Tribunal Pleno.

Ela atuou como juíza auditora da Justiça Militar, função na qual sua atuação firme a tornou conhecida como “mão dura”. Marilza foi a primeira juíza auditora do Estado.

No material da Amamsul, Marilza também é descrita como “aguerrida” por permanecer na luta pela superação das excludentes trajetórias de tantas mulheres negras no país.

A associação registra ainda que Marilza deixou um legado de luta, determinação e dignidade.

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