Meio Ambiente
MS aproveita apenas 6,5% do potencial de biometano das usinas de cana, conforme levantamento
Estado tem capacidade para produzir 126 milhões de m³ por safra, porém, a produção efetiva é de 8,16 milhões de m³ por ano
Mato Grosso do Sul aproveita atualmente apenas 6,5% do potencial de produção de biometano das usinas sucroenergéticas instaladas no Estado. O dado foi apresentado pelo presidente executivo da Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN), Yuri Schmitke, durante o Bio Energy Summit, realizado na última quarta-feira (16), em Campo Grande.
Segundo levantamento da entidade, as 20 usinas sucroenergéticas de Mato Grosso do Sul, que concentram cerca de 800 mil hectares de cana em 42 municípios, têm capacidade potencial para produzir 126 milhões de metros cúbicos de biometano por safra, o equivalente a 345 mil m³ por dia. Atualmente, porém, a produção efetiva é de 8,16 milhões de m³ por ano.
A vinhaça, resíduo gerado na fabricação do etanol, aparece como principal matéria-prima ainda pouco aproveitada. “A vinhaça já está coletada, canalizada e concentrada dentro da usina. É o substrato de menor custo logístico do país e, em Mato Grosso do Sul, o menos explorado”, afirmou Schmitke.
O Estado possui 107 plantas de biogás e ocupa a sexta posição nacional em número de unidades, mas está fora das dez maiores produções do país. Projetos já contratados ou em implantação devem elevar a capacidade para 44,71 milhões de m³ por ano. Mesmo com o avanço, cerca de 64,5% do potencial das usinas instaladas continuará sem projeto associado.
Para a ABREN, a expansão do setor passa por empreendimentos de maior porte, integração entre usinas próximas e ampliação do acesso à rede de gás. A entidade propõe que Mato Grosso do Sul seja tratado como projeto-piloto de um polo agroindustrial de biometano.