Polícia
Polícia investiga suposto banho quente que deixou bebê com corpo queimado
O banho foi dado por uma ténica de enfermagem e a pequena Juliana teve 37% do corpo queimado
A polícia investiga as causa do incidente que ocorreu na última terça-feira (18), e deixou 37% do corpo de uma bebê queimado, no Hospital Getúlio Vargas no Rio de Janeiro.
O Bom Dia Rio teve acesso ao prontuário da pequena Juliana, cujo incidente foi divulgado na sexta-feira (21), pelo G1. A diretora do Hospital Municipal Getúlio Vargas Filho, o Getulinho, e uma enfermeira já foram ouvidas.
A mãe da bebê, Luara, contou que a filha passa quase todo o dia dormindo, por causa dos medicamentos. Segundo o hospital, o quadro de Juliana é estável.
O delegado Luiz Jorge acredita, segundo a perícia e as informações que recebeu, que um banho quente foi o que causou as queimaduras. "Nós fizemos diligência, e o perito descartou outra possibilidade. Pela dinâmica, que a criança foi imersa numa bacia e jogada água nela, concluímos que realmente foi água quente”.
Segundo o delegado, o depoimento da técnica de enfermagem revela o momento em que ela percebeu que havia algo errado.“A enfermeira afirmou que deu um banho normal na criança. Ela afirmou que quando ela tirou a criança do balde para secar, a pele começou a soltar”, afirmou o delegado.
Foram ouvidas na quinta-feira (20) a diretora do hospital e a técnica de enfermagem que deu o banho no bebê.
.Os depoimentos do médico responsável pelo bebê, do cirurgião que cuidou das queimaduras e da enfermeira estavam previstos para sexta-feira (21), mas foram adiados para segunda (24).
A Polícia Civil passou quase duas horas fazendo uma perícia no CTI do Getulinho e apreendeu um balde, uma bacia e a luva que teria sido usada para carregar os itens na hora do banho da Juliana.
Luiz Jorge explicou que o boiler, um reservatório térmico de água, demora a esquentar e que a profissional responsável não notou a temperatura. “Demora de 5 a 10 minutos para a água esquentar nesse boiler. Ela então deixou a água esquentando e foi fazer outras coisas. Depois foi direto dar o banho, esqueceu que tinha que misturar a água”, explicou.
A família diz achar estranho o motivo ser um banho quente. A mãe, Luara, disse que, por conta dos problemas de saúde ( meningite e microcefalia) Juliana só toma banho no leito desde o dia 14, e que durante toda a internação no CTI, ela nunca viu a filha tomar banho em um balde.
Luara pondera que, se tivesse sido colocada dentro de uma bacia com água quente, a bebê teria tido ainda mais queimaduras, não só na parte da frente do corpo. A família disse que confia no trabalho da polícia e que está esperando uma resposta oficial.
Na terça (18), a mãe foi em casa tomar banho e voltou correndo quando recebeu a notícia de que algo havia acontecido.
O crime foi registrado como lesão corporal grave e pode também se estender para condescendência criminosa (pelo fato de o chefe do funcionário não o ter responsabilizado pelo ato) ou prevaricação por parte da administração, que deveria ter informado de imediato o ocorrido à polícia e aos familiares.
Hospital
Em nota, a direção do Hospital Municipal Getúlio Vargas Filho disse “lamentar profundamente o ocorrido” e que está prestando toda a assistência necessária para a paciente e para família, além de contribuir com as investigações da polícia.
“Foi aberta uma sindicância para apurar o fato, e a direção tomará as medidas cabíveis. A direção já identificou os profissionais que atenderam a criança e está ouvindo todos os envolvidos no caso no âmbito da sindicância”, declarou o hospital.