O que deveria ser uma ida ao dentista para sorrir mais, se tornou um verdadeiro pesadelo para a jovem Eduarda Vieira, de 22 anos, mulher negra que relatou ter sido vítima de racismo pelo motorista do aplicativo 99 POP, Leoclaudio Caciano. Na manhã desta quarta-feira (2), ela solicitou corrida para ir até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Coronel Antonino.

Eduarda contou que essa não foi a primeira vez que foi vítima de racismo, outras vezes aconteceram, durante o ensino médio e locais públicos. “Eu já aguentei muito caso de racismo, mas dessa vez não. Fiquei muito mal, até chorei na hora, nossa pele não define quem a gente, eu tenho orgulho da minha pele, não é por que eu sou negra que eu não trabalho ou que eu não tenha condições de pagar uma corrida.”, disse a autônoma.

A jovem relatou ao JD1 Notícias, que por volta das 8h pediu um carro do aplicativo 99 pop para ir até o dentista, ao entrar no carro, deu bom dia para o motorista, e não teve resposta, sendo mal educado. “Ai eu fiquei quieta, ao chegar ao meu destino, a minha corrida deu R$ 12,80, ai eu estava com cartão, uma nota de R$ 50 reais e R$ 12,50 em dinheiro. Aí perguntei se eu poderia ficar devendo 30 centavos, ele falou não. Aí perguntei se ele poderia trocar os R$ 50 reais, ai ele disse que não e gritou, você acha que vou trocar uma nota dessa? Ai eu falei que ele deveria andar com troco”, relata.

Eduarda afirmou que até tentou resolver a situação, questionando o motorista se ele passava cartão: “Você tá vendo aqui no aplicativo se cartão passa, ou você é cega?”, teria questionado Leoclaudio.

“Você não precisa falar assim, eu tô sendo super educada com o senhor, se você puder ter educação comigo”, afirmou a vítima.

 

O motorista respondeu que não tinha ninguém gritando no carro, a vítima disse que então daria o ela tinha, já que ele não aceitou nenhuma alternativa sugerida por ela. "Se você me der R$ 12,50 eu coloco que você não pagou a corrida", teria dito o motorista.

Ela questionou que se ela pagasse e ele não colocasse o valor, ficaria todo o valor para ele e ela ainda estaria devendo o valor total ao aplicativo. “Ele gritou, você é burra?”, complementou.

Eduarda então disse ao motorista que ele não deveria trabalhar com pessoas, "com essa grosseria", momento em que o homem disse: “Tem como você descer do meu carro, sua macaca?”. “Ele falou desse jeito para mim”, disse a jovem que ficou sem reação no momento.

A jovem ainda se posicionou pedindo por mais respeito, mas o motorista continuou as ofensas, mas o motorista teria emendado as seguintes palavras:

“Anda sua preta, desce logo do meu carro, eu trabalho, tenho outras corridas pra fazer.”

 

A vítima então desceu do carro e o motorista saiu cantando pneu após a chamar de “biscatinha”, segundo relato. Após todo o estresse, Eduarda decidiu que era hora tomar uma atitude, e registrou um boletim de ocorrência por injuria racial cometida pelo motorista. Ela contou que também entrou em contato com a empresa 99 POP pedindo um posicionamento da empresa. “Eu liguei pra central do 99 e eles falaram para mim que não aceitam esse caso, isso é racismo. Ela pediu meu CPF e disse que a empresa iria negativar o rapaz no aplicativo", contou Eduarda.

Segundo a vítima, a empresa deu o prazo de seis meses para Eduarda procurar um advogado ou defensoria pública para dar seguimento ao processo.