A Polícia Civil, por meio do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO) deflagrou na manhã desta quarta-feira (18), a operação denominada "Avarum”. A ação gira em torno de um policial militar da reserva, de 57 anos, que operava ocultando bens e branquiando ativos obtidos ilicitamente através de rede criminosa envolvendo empresas de fachadas e familiares para a Lavagem de Dinheiro.

Durante a operação, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas residências e empresas ligadas ao investigado. Além disso, foi solicitada a indisponibilidade de bens móveis, imóveis, bem como o bloqueio de contas bancárias de sete pessoas e duas empresas. Os veículos constantes em nome dos investigados foram bloqueados junto ao DETRAN.

As investigações tiveram início após a notícia de que um policial militar da reserva remunerada teria apresentado movimentação financeira incompatível com sua capacidade financeira presumida, com indícios de prática de "factoring" informal e agiotagem, sendo certo que, tanto a agiotagem, como "factoring", quando comprovada a abusividade dos juros cobrados nas operações de empréstimo, configuram o crime de usura (artigo 4º, da Lei 1.521/51) o que acabou materializado na apuração em andamento no DRACCO.

Segundo apurado, o funcionário público estadual aposentado estaria usando familiares como ‘laranjas’, para ocultar e dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de valores claramente incompatíveis com sua renda declarada. Dentre as irregularidades, foi constatado que nove pessoas físicas e cinco jurídicas, relacionadas a ele acabaram movimentando juntas, no período de 01/01/2000 a 31/12/2013,  um montante que ultrapassa R$ 63 milhões.

Embora o suspeito tenha o salário de servidor público aposentando no valor declarado de cerca de R$ 2.800,00, foi constatando que em um único ano, o policial movimentou cerca de R$ 2.270.000,00, em diversas contas bancárias, dentre elas, contas conjuntas com seus irmãos, apresentando o principal investigado 16 contas bancárias vinculadas a seu CPF.          

Durante a operação, foram apreendidos aparelhos de telefone celular, computadores, notebooks, HDs, pen drives, documentos diversos e ainda nove veículos avaliados em quase R$ 1 milhão, além de duas armas de fogo.

O termo "AVARUM" que batizou a operação do DRACCO remete exatamente ao cenário de lucro exagerado, da ganância e lucro indevido. O cumprimento das medidas cautelares contou com o apoio de equipe do Grupo de Operações e Investigações, que também faz parte da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.

Caso condenados, as penas giram em torno de 06 a 18 anos de reclusão.