Polícia
Ginecologista é acusado por mais de 50 mulheres de cometer crimes sexuais
Vítimas relatam que ele tirava fotos das partes íntimas, além de conversas de cunho abusivo por mensagens
O ginecologista Nicodemos Júnior Estanislau Morais, investigado por crimes sexuais contra pacientes durante consultas em que tirava fotos das partes íntimas das mulheres, de acordo com a Polícia Civil. Ele chegou a ser preso, mas foi solto após decisão da Justiça. Mensagens atribuídas ao médico mostram insinuações sexuais às pacientes. Caso está sendo investigado em Anápolis, Goiás.
“Nós temos relatos de várias vítimas de que ele tirou fotos dos órgãos genitais dessas vítimas. E ele falava que era para mostrar para elas. As vítimas pediam para que ele apagasse, ele falava que ia apagar, mas as vítimas não têm informação se realmente foram apagadas essas imagens”, contou a delegada Isabella Joy.
A defesa do médico diz que ele não cometeu nenhum abuso e que o ginecologista agiu dentro dos procedimentos da medicina.
Relatos:
A delegada responsável pelo caso disse que os assédios do médico às pacientes aconteciam nas consultas e também pelas redes sociais. Em uma das mensagens, o ginecologista teria pedido a uma paciente que fosse bronzeada para uma consulta de retorno.
A paciente tinha feito uma cirurgia com ele para retirada de um dispositivo intrauterino (DIU) que infeccionou. A delegada explicou que ele puxou conversa com a paciente para saber se ela estava bem.

Em uma outra conversa, o médico faz uma insinuação a outra mulher. Ele envia uma foto com as frases: “Bora fortalecer a amizade, gata? Transar com amigas fortalece a amizade”.
Uma outra paciente relatou à polícia que enviou mensagens tirando dúvidas sobre um método contraceptivo e se o parceiro poderia sentir durante a relação sexual.
“Bom, minha namorada já usou e eu não percebi diferença alguma. Posso testar kkk. Brincadeira”, disse na mensagem enviada pelo aplicativo.
Entre as denúncias está a da Kethlen Carneiro, de 20 anos, que procurou a corporação para relatar que foi abusada por ele quando ainda tinha 12 anos.
“Ele veio me falar que eu podia começar a me masturbar. Me mostrou histórias em quadrinho pornô e vídeos. Me mandando os links e quais eu podia assistir. Depois levantou, pegou minha mão e colocou nele, na parte íntima dele", contou.
Outra mulher também teve coragem de falar sobre o crime somente com a prisão do suspeito. Ela disse que, durante uma consulta no ano passado, o médico elogiou seus olhos e também o órgão sexual. Em seguida, perguntou sobre sua relação sexual com o marido.
“Eu fiquei congelada, e ele fazendo manipulações, isso tudo com os dois dedos introduzidos na minha vagina. Eu não consegui nem respirar no momento. É uma situação que a gente nunca espera que vá acontecer”, contou.