A mãe do menino de 7 anos que foi recuperado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) ao ser flagrado viajando com uma mulher de 43 anos, disse para a imprensa nesta segunda-feira (22), que a falta de condições para criar a criança a fez ter a atitude extrema de mandá-lo para ser criado com outra pessoa.

Moradora do Dom Antonio Barbosa, a diarista disse que vive passando dificuldades para sustentar os filhos. Mãe de oito, ela tem hoje quatro filhos mais velhos e quatro ainda são menores de idade e dependem inteiramente dela.

“Eu não to em condições. Meu filho tava passando fome comigo. Sabe o que é ver ele pedindo as coisas e não ter? Chegou um momento em que tive que pegar coisa de rua pra dar pra ele comer. Eu falei ‘não quero isso pra você, meu filho’ e desde então estou procurando ajuda”, explicou.

Conforme a mãe do pequeno, a cuidadora de idosos presa transportando a criança de maneira ilegal foi um pedido de ajuda. “Eu conheço ela tem dois anos, sempre deu de comer pro meu filho e esteve do meu lado. Não agüentava mais meu menino passando fome e a minha mãe não tem condições de estar me ajudando”.

Controvérsia - Representando a mulher presa [que foi flagrada levando o menino para o outro estado], a advogada Aurea Rodrigues disse que a diarista foi até o cartório e fez uma procuração para que a viagem fosse legal. Advogada disse ainda que a família iria se reunir no estado de Mato Grosso, uma vez que a mãe do menino se mudaria para lá.

 “Ela foi no cartório e fez uma procuração pra viagem, porque ela ia depois encontrar com o filho. Lá já tinha um serviço pra ela [mãe do menino], mas acabou precisando ficar aqui essa semana, pois tinha diárias para fazer. O plano era o pequeno ir na frente e depois a mãe dele iria ao encontro. Essa historia de adoção e de que ela teria ganhado dinheiro é errado”, contou Aurea.

Ameaça – A diarista disse ainda que vem sendo ameaçada pelos vizinhos e tem medo até de ir para casa. “O pessoal ta querendo me linchar, porque tão achando que vendi meu filho. Mas foi um atitude de desespero porque não queria ver meu filho passando fome”.

Depoimento – na Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) a mãe do menino foi tentar explicar um possível erro na papelada que causou todo esse transtorno. Ela tenta agora recuperar o pequeno, que acabou sendo encaminhado para um abrigo após ser pego pela polícia.