Os documentos do Conselho Tutelar Sul expõem a vida difícil que era levada pela pequena Emanuelly Victória Souza Moura, de 6 anos, na casa em que morava com a família na Rua São Gabriel, bairro Vila Taquarussu, em Campo Grande. A menor foi sequestrada, estuprada e assassinada por um amigo da família, que morreu em confronto com a Polícia Civil.

Denúncia 1

Conforme o documento, o primeiro registro de ocorrência foi feito no dia 17 de janeiro de 2025. Na ocasião, a menor foi até o posto de saúde do bairro acompanhada da bisavó do padrasto para passar por atendimento odontológico. A enfermeira então notou que a criança tinha sinais claros de negligência e maus cuidados básicos.

‘Manu’ tinha ainda falhas no topo da cabeça, indicando que seus cabelos teriam sido arrancados. A menina então contou que quando a mãe estava brava, tinha o costume de puxar os cabelos dela para arrancar. Ela detalhou ainda que apanhada do padrasto, assim como a genitora, chegando a levar chineladas no rosto.

Após a denúncia, a conselheira tutelar foi acionada e compareceu ao imóvel. No dia da visita, a casa da família estava em ordem, com tudo limpo e organizado. A mãe da pequena explicou que as falhas no cabelo eram resultado de uma ação voluntária da menina, que havia cortado com uma tesoura. Ela afirmou ainda que um primo da criança teria feito o mesmo cortando o próprio cabelo e o da prima.

O casal então acusou a bisavó de estar fazendo uma denuncia caluniosa. Na ocasião, Emanuelly parecia ‘relaxada’, pois brincava no quintal com os primos.

Denúncia 2

O segundo atendimento à família foi realizado pelo Conselho Tutelar no dia 19 de março de 2025, quando uma denunciante explicou que a vítima estava sendo agredida fisicamente e psicologicamente.

Além disso, a denúncia expõe que a mãe da pequena também era agredida. A testemunha detalhou que a menina era deficiente cognitiva, com necessidade de acompanhamento comprovado por laudo e que em menos de um mês havia ido parar no hospital duas vezes.

Fora as agressões, Emanuelly estava fisicamente e emocionalmente debilitada. A continuação do relato afirmou ainda que a menina estaria passando fome.

Denúncia 3

Mais uma vez, as equipes do Conselho Tutelar Sul foram acionadas pelo Disque 100 para atender uma denúncia de maus-tratos envolvendo a menor. Na ocasião, ela teria quebrado o braço durante uma agressão.

Mais uma vez, o texto mostra a questão da falta de alimentação adequada da criança. Nesta nova incursão, a denunciante afirmou que a vítima sofria ameaças de morte e de que seria enterrada.

Outro detalhe seria as faltas constantes na escola sempre que ela tinha marcas aparentes das agressões pelo corpo. Os suspeitos dos maus-tratos? A genitora e o padrasto da menor, que seriam usuários e traficantes de drogas, ponto citado pelo próprio homem a conselheira na primeira denúncia.

Investigação

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul vai apurar se houve omissão por parte do Conselho Tutelar de Campo Grande no caso envolvendo a criança Emanuelly Victória Souza Moura, de 6 anos.

Um inquérito foi instaurado em razão do órgão municipal já ter recebido denúncias nos últimos anos em relação a possíveis maus-tratos, como agressões, falta de alimentação, ausência na escola e outras coisas.

Segundo o MPMS, "o objetivo é verificar se houve omissão no cumprimento das atribuições legais do órgão e, em caso positivo, se essa omissão guarda relação com o desfecho trágico".

O procedimento tramita em caráter sigiloso, conforme o órgão. "Neste momento, o caso encontra-se em fase de investigação", pontua o Ministério Público.

Confira o documento:

 

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