A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul (PCi-MS) instituiu um novo Procedimento Operacional Padrão (POP) para o acolhimento e cadastro de pessoas desaparecidas. A medida, válida para o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) de Campo Grande e para os 14 Núcleos Regionais do interior, visa humanizar o atendimento a famílias que buscam respostas e unificar a coleta de dados essenciais para investigações e processos de identificação humana.

Na prática, o novo fluxo organiza o atendimento desde o primeiro contato, estabelecendo regras claras sobre como ouvir os relatos, registrar características físicas, vestimentas, fotos e contatos, além de orientar os encaminhamentos necessários. O objetivo é evitar que dados importantes se percam com o tempo e garantir que, mesmo quando não houver uma resposta imediata sobre o paradeiro da pessoa, todas as pistas fiquem documentadas de forma institucional.

O procedimento também prevê o cruzamento de informações com os boletins de ocorrência da Polícia Civil e, quando necessário, a orientação para a coleta de material biológico dos familiares, que servirá para futuros exames de DNA. Além do rigor técnico, o POP prioriza a privacidade e o suporte emocional das famílias, instruindo os servidores a utilizarem uma linguagem clara e acolhedora, evitando termos técnicos ou expressões inadequadas que possam intensificar o sofrimento de quem busca um ente querido.

Para garantir a aplicação da nova diretriz, todos os servidores das unidades de medicina legal do Estado passarão por um treinamento online focado em escuta qualificada, preenchimento correto de relatórios e a importância de dar um retorno contínuo às famílias. Segundo a Coordenadoria-Geral de Perícias, a meta é fazer com que um morador do interior encontre exatamente o mesmo padrão de atendimento e suporte oferecido na Capital.

A iniciativa está alinhada à Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas e respeita as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Em Campo Grande, ações integradas semelhantes com a assistência social e a Polícia Civil já ajudaram a localizar famílias de pessoas falecidas e até mesmo a promover reencontros de pessoas que estavam vivas, mas sem contato com os parentes.