Polícia
Mau tempo pode ter causado queda de avião em Campo Grande; mecânica será periciada
Polícia Civil confirma a identidade das duas vítimas e afirma que a causa do acidente só será definida após análise técnica da aeronave pelo Seripa
O mau tempo é a principal hipótese para a queda do avião de táxi aéreo que matou duas pessoas na manhã desta sexta-feira (3), na região do Aero Rural, em Campo Grande. Apesar da linha inicial da investigação apontar para as condições meteorológicas adversas, a Polícia Civil afirma que a causa do acidente somente será definida após uma análise minuciosa dos componentes mecânicos da aeronave, trabalho que será realizado pelo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa).
Após a perícia realizada no local, a Polícia Civil confirmou oficialmente as identidades das vítimas. Morreram no acidente o piloto Henrique Martin e a passageira Lydia Theresia Möcklinghoff, cidadã alemã, jornalista, zoóloga e fotógrafa reconhecida por pesquisas sobre a biodiversidade do Pantanal.
Segundo o delegado Sam Suzumura, da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon), a investigação trabalha inicialmente com a hipótese de que o piloto tenha sofrido desorientação espacial em razão das condições climáticas.
"Já confirmamos a existência de duas vítimas fatais: um piloto do sexo masculino e uma passageira do sexo feminino. A suspeita inicial é que o acidente tenha sido provocado por condições meteorológicas adversas, contudo, a causa definitiva dependerá de uma análise minuciosa dos componentes mecânicos da aeronave. Esse procedimento técnico será realizado em um segundo momento, com o acompanhamento obrigatório do Seripa", explicou.
De acordo com o delegado, a baixa visibilidade encontrada pelas equipes de resgate reforça essa linha de investigação. "A hipótese principal é a de desorientação espacial do piloto, possivelmente agravada pelo mau tempo. No momento em que as equipes do Corpo de Bombeiros iniciaram as buscas, a visibilidade no local estava bastante reduzida, o que corrobora a possibilidade de que as condições climáticas fossem ainda mais severas durante a decolagem", pontuou.
Mesmo assim, Suzumura ressaltou que ainda é cedo para qualquer conclusão sobre as causas da queda e que é preciso aguardar o prosseguimento das investigações e a conclusão dos levantamentos periciais.
A Polícia Civil informou ainda que a documentação encontrada na aeronave permitiu confirmar a identidade das vítimas. No caso de Lydia Theresia Möcklinghoff, por ser cidadã alemã, todos os procedimentos seguirão a legislação brasileira, uma vez que o acidente ocorreu em território nacional. As autoridades também trabalham para localizar os familiares e providenciar a entrega dos pertences pessoais.
A investigação também irá apurar a regularidade da operação, incluindo o plano de voo. Segundo o delegado, o operador da aeronave está regular, mas toda a documentação relacionada ao voo será analisada pelos órgãos competentes. Informações preliminares obtidas durante as diligências indicam que Henrique Martin era um piloto experiente, embora esse dado ainda passe por confirmação documental.
Outro detalhe esclarecido pela Polícia Civil foi o sinal sonoro ouvido após a localização dos destroços. Conforme Suzumura, o "beep" era emitido pelo ELT (Emergency Locator Transmitter), equipamento de emergência instalado na aeronave que envia automaticamente um alerta às autoridades aeronáuticas em caso de acidente.
O local permanece isolado para preservação dos destroços até a chegada da equipe do Seripa, que fará a perícia técnica na aeronave. O avião, um Embraer EMB-810 Seneca, matrícula PT-WYQ, pertence à empresa Amapil Táxi Aéreo Ltda. e, conforme a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), estava com a situação de aeronavegabilidade regular. A conclusão sobre as causas do acidente dependerá da análise dos destroços e dos demais levantamentos técnicos realizados pelos órgãos responsáveis.