Polícia
PM aponta Corumbá como porta de saída da cocaína da Bolívia
Comandante-geral afirmou que o interesse de organizações criminosas na cidade está ligado ao escoamento da droga produzida no país vizinho
A posição estratégica de Corumbá na fronteira entre Brasil e Bolívia explica o interesse crescente de organizações criminosas pela região, segundo o comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, coronel Renato dos Anjos Garnes.
Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, o coronel afirmou que o município se consolidou como uma das principais rotas de escoamento da cocaína produzida no país vizinho. "O interesse de Corumbá é pela droga. Lá é a porta de saída da cocaína da Bolívia", afirmou.
De acordo com Garnes, o fortalecimento de grupos criminosos do lado boliviano tem aumentado a pressão sobre a faixa de fronteira e provocado disputas entre traficantes interessados no transporte da droga para outros estados brasileiros. "Eles estão se fortalecendo na Bolívia e estão tentando adentrar o nosso Estado. Não vão conseguir", declarou.
O comandante destacou que Mato Grosso do Sul possui cerca de 1.600 quilômetros de fronteira internacional, característica que torna o Estado uma das principais portas de entrada de entorpecentes no país. Segundo ele, aproximadamente 80% da droga que circula pelo Brasil passa pelo território sul-mato-grossense.
Garnes também afirmou que o trabalho das forças de segurança tem colocado o Estado entre os que mais apreendem drogas no país. Conforme os dados apresentados pelo comandante, das 920 toneladas de entorpecentes apreendidas pelas polícias militares brasileiras, cerca de 420 toneladas foram retiradas de circulação em Mato Grosso do Sul.
Segundo o comandante, o cenário ajuda a explicar a violência registrada recentemente em Corumbá, onde disputas entre grupos criminosos culminaram na morte do soldado Marcelo Pimenta e desencadearam uma série de operações policiais.
Apesar da escalada dos confrontos na região, Garnes afirmou que as forças de segurança continuarão atuando de forma integrada para combater o tráfico internacional e impedir o avanço das organizações criminosas na fronteira.