A disputa entre traficantes pelo controle de cargas de drogas na fronteira com a Bolívia foi apontada pela Polícia Militar como a principal causa da sequência de confrontos registrados nos últimos dias em Corumbá.

Segundo o comandante-geral da corporação, coronel Renato dos Anjos Garnes, o assassinato do soldado Marcelo Pimenta ocorreu durante uma ocorrência desencadeada por um desacordo entre criminosos. Durante entrevista coletiva nesta segunda-feira, dia 6, o comandante afirmou que os envolvidos pretendiam executar um integrante de um grupo rival quando houve a intervenção policial que terminou com a morte do militar.

"Houve um desacordo entre as partes, entre os traficantes de droga. Em decorrência desse desacordo, ocorreu, infelizmente, a morte do nosso policial militar", afirmou.

Questionado sobre informações de que o alvo seria um traficante acusado de praticar o chamado "arrocho", expressão utilizada para se referir ao roubo de cargas de drogas entre criminosos, Garnes evitou confirmar o termo, mas reconheceu que esse tipo de disputa faz parte da dinâmica do tráfico na região de fronteira.

"Isso ocorre na fronteira, não é de hoje. Quando ocorre isso, eles entram em confronto", disse. Segundo o comandante, o grupo criminoso pretendia matar um desafeto, mas a ação terminou com a morte do soldado Marcelo Pimenta durante a abordagem policial.

"A justiça deles é a morte. Eles foram para efetuar o homicídio do cidadão e, infelizmente, conseguiram matar o nosso policial militar", declarou.

Após o crime, a Polícia Militar desencadeou uma série de operações em Corumbá. Conforme Garnes, a maior parte dos suspeitos mortos em confrontos nos últimos dias possui ligação direta ou indireta com os envolvidos na morte do policial.