Polícia
Grupo saiu de Ponta Porã para execução que terminou com filho de garagista morto em Dourados
Criminosos chegaram em BMW, usaram moto furtada e tiveram ajuda de adolescente para encontrar local onde verdadeiro alvo deveria estar
O grupo saiu de Ponta Porã com destino a Dourados para executar um homem que tinha uma dívida de aproximadamente R$ 300 mil para receber. A ação envolveu transporte em uma BMW, uma motocicleta furtada e até a participação de um adolescente do 17 anos para guiar os executores pela cidade. O plano, porém, terminou com a morte por engano de Vítor Orsini, de 19 anos, no dia 7 de agosto.
Os detalhes foram apresentados nesta quarta-feira (26) pelo delegado Lucas Albé, do SIG (Setor de Investigações Gerais). Conforme a Polícia Civil, os dois homens que participariam diretamente da execução foram levados de Ponta Porã até Dourados em uma BMW. Outros dois investigados, que teriam feito esse transporte, seguem foragidos.
Imagens e outros elementos levantados durante a investigação indicam que a BMW circulou nas proximidades da garagem onde ocorreu o homicídio. A suspeita é de que os ocupantes tenham passado pelo endereço para conferir se a execução havia sido realizada.
Como os executores eram de fora e não conheciam Dourados, o grupo teria contado com a ajuda de um adolescente de 17 anos. Segundo a polícia, ele furtou uma motocicleta durante a madrugada do dia 7 e depois entregou o veículo aos criminosos. O adolescente também teria guiado a dupla pelas ruas até a garagem onde o alvo deveria estar.
Os homens conheciam a vítima que deveriam executar apenas por fotografia. No momento do crime, o piloto da motocicleta teria indicado Vítor como sendo o alvo. A polícia acredita que a identificação errada, somada ao fato de os envolvidos não conhecerem a região, levou ao assassinato do jovem. O piloto também estaria sob efeito de drogas durante a ação.
Executor atuava no tráfico
Denis Barbosa de Mello, de 25 anos, apontado como responsável pelos disparos, é natural de Brasília, mas a investigação descartou que ele tenha viajado da Capital Federal especificamente para cometer o homicídio. "Ele não veio de Brasília para cometer esse crime. Ele já estava na região há cerca de três ou quatro meses. Ele tinha vindo com esse movimento na prática do tráfico de drogas", afirmou o delegado.
Ele atuava no transporte de drogas para grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro. Ele não seria um pistoleiro profissional. Ainda conforme a investigação, Denis teria contraído uma dívida na fronteira e recebido dinheiro para participar da execução.
Denis foi preso em 11 de agosto, escondido em um hotel no distrito de Nova Itamarati, em Ponta Porã. Já Alexander Gonçalves Borges, apontado como piloto da motocicleta, foi localizado e preso no dia 17, também em Ponta Porã.
A investigação aponta ainda Jefeson Lopes, de 31 anos, e Marcos Antonio Olmedo Vera, de 23, como responsáveis pela contratação dos executores e por levá-los de Ponta Porã até Dourados. Os dois possuem mandados de prisão preventiva por homicídio qualificado e continuam foragidos.
Segundo a Polícia Civil, após o grupo retornar a Ponta Porã veio a constatação de que a execução havia dado errado: Vítor não era o homem procurado. Os contratantes teriam, então, determinado que os criminosos voltassem a Dourados para “terminar o serviço” contra o verdadeiro alvo, que deixou Dourados.