A Polícia Civil confirmou nesta quarta-feira (26) que Vítor Orsini, de 19 anos, foi morto por engano durante uma emboscada em Dourados. O verdadeiro alvo seria um homem que tinha cerca de R$ 300 mil para receber de um empresário de Ponta Porã. A dívida é apontada como a principal motivação para a execução.

Vítor foi assassinado a tiros no dia 7 de agosto, dentro da garagem da família, na Avenida Hayel Bon Faker. Segundo o delegado Lucas Albé, do SIG (Setor de Investigações Gerais), a descoberta de que o jovem não era o alvo começou com a análise do celular dele. “Eu passei o primeiro final de semana inteiro em posse do aparelho celular do Vítor, analisando conversas, informações, checando se havia envolvimento de outras pessoas com ele, com familiares, se havia ameaças”, afirmou. 

Na manhã do crime, havia ocorrido uma conversa sobre uma suposta negociação de veículo, com um encontro marcado para as 14h na garagem.

A negociação, porém, teria sido usada como isca para levar o verdadeiro alvo até o endereço. O homem confirmou à polícia que deveria estar no local naquele horário, mas se atrasou porque fazia compras com a esposa. Quando seguia para a garagem, soube que Vítor havia sido baleado e desistiu de ir.

Os executores não conheciam pessoalmente quem deveriam matar. Conforme a investigação, eles haviam visto apenas uma fotografia do alvo.

 No momento da emboscada, Vítor foi confundido com ele e acabou baleado. Depois, quando os criminosos retornaram para Ponta Porã, teriam recebido o aviso: “Vocês mataram a pessoa errada”. Ainda segundo a polícia, houve ordem para que retornassem a Dourados e concluíssem a execução.

Dívida teria motivado execução

O homem que deveria ser assassinado relatou à polícia que tinha dinheiro a receber de um empresário de Ponta Porã. A dívida teria começado em aproximadamente R$ 240 mil e já ultrapassaria R$ 300 mil. A origem do débito ainda não foi esclarecida. A polícia considera a possibilidade de ligação com o tráfico de drogas, diante do histórico dos envolvidos, mas essa hipótese ainda não foi confirmada.

Quatro envolvidos já foram localizados

Até agora, seis pessoas são apontadas como envolvidas no crime. Quatro foram presas ou apreendidas.

Denis Barbosa de Mello, de 25 anos, apontado como autor dos disparos, foi preso no dia 11 de agosto, escondido em um hotel no distrito de Nova Itamarati, em Ponta Porã. Segundo a polícia, ele confessou ter atirado contra Vitor. Na mesma ação, um adolescente de 17 anos foi apreendido.

O adolescente é apontado como responsável por furtar a motocicleta usada no crime e por guiar os executores pelas ruas de Dourados, já que eles não conheciam a cidade. Ele está internado na Unei.

Já Alexander Gonçalves Borges, apontado como piloto da motocicleta, foi preso na noite de 17 de agosto, também em Ponta Porã.

No dia 21, durante cinco mandados de busca e apreensão na região de fronteira, foi preso preventivamente Claudio Henrique de Arruda, de 43 anos, empresário e dono de academia apontado como articulador do encontro que levou à emboscada.

Outros dois investigados, Jefeson Lopes, de 31 anos, e Marcos Antonio Olmedo Vera, de 23, continuam foragidos. Segundo a Polícia Civil, ambos teriam participado da contratação dos executores e do transporte deles de Ponta Porã para Dourados.

O inquérito está na fase final, mas a polícia ainda aguarda perícias em celulares e analisa outros elementos. A existência de mais envolvidos ou mandantes também não foi descartada.